Tropas cubanas matam quatro em confronto com lancha dos EUA

As autoridades de Cuba anunciaram que quatro exilados cubanos morreram e outros seis ficaram feridos após um tiroteio com uma patrulha marítima cubana, envolvendo uma lancha registada na Flórida. O incidente ocorreu ao largo de Falcones Cay, na costa norte da ilha, a cerca de 120 milhas a leste de Havana.

Navios da guarda costeira cubana atracaram no porto de Havana
Tropas cubanas matam quatro em confronto com lancha dos EUA © AFP via Getty Images

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Segundo o Ministério do Interior cubano, a embarcação aproximou-se a menos de uma milha náutica de um canal na zona quando foi intercetada por cinco elementos de uma unidade de patrulha de fronteira. De acordo com a versão oficial, os ocupantes da lancha abriram fogo, ferindo o comandante da embarcação cubana. As forças de segurança responderam, resultando na morte de quatro homens e em seis feridos, que foram evacuados e receberam assistência médica.

Um dos mortos foi identificado como Michel Ortega Casanova, permanecendo por confirmar a identidade dos outros três. Entre os seis detidos estão Amijail Sanchez Gonzalez e Leordan Enrique Cruz Gomez, ambos anteriormente procurados pelas autoridades cubanas por suspeitas de planeamento de atos terroristas. Os restantes foram identificados como Conrado Galindo Sariol, Jose Manuel Rodriguez Castello, Cristian Ernesto Acosta Guevara e Roberto Azcorra Consuegra.

As autoridades indicaram ainda a detenção de um outro suspeito em território cubano, Duniel Hernandez Santos, alegadamente envolvido na receção do grupo infiltrado.

Cuba acusa grupo de tentativa de infiltração terrorista

De acordo com o comunicado oficial, o grupo teria partido dos Estados Unidos equipado com camuflagem, espingardas de assalto, armas curtas, explosivos artesanais, coletes balísticos e miras telescópicas. O Ministério do Interior afirmou que, segundo declarações preliminares dos detidos, o objetivo seria realizar uma infiltração com fins terroristas.

O episódio ocorre num contexto de tensão crescente entre Havana e Washington. O Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que não se tratou de uma operação dos Estados Unidos e que nenhum funcionário do governo norte-americano esteve envolvido. O responsável acrescentou que a embaixada dos EUA em Havana irá tentar verificar de forma independente o sucedido, sublinhando que confrontos armados em mar aberto são incomuns.

O secretário de Estado dos EUA Marco Rubio
Marco Rubio, declarou que não se tratou de uma operação dos Estados Unidos © POOL/AFP via Getty Images

Reações políticas nos Estados Unidos

O caso gerou reações imediatas na Flórida. O procurador-geral do estado, James Uthmeier, anunciou a abertura de uma investigação em articulação com autoridades estaduais e federais. Também o congressista Carlos Gimenez solicitou uma investigação federal para apurar os factos e determinar se alguma das vítimas era cidadã ou residente legal nos Estados Unidos.

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A comunidade de exilados cubanos, concentrada sobretudo em Miami, mantém há décadas uma posição crítica em relação ao governo da ilha, instaurado por Fidel Castro após a revolução de 1959. Ao longo dos anos, vários grupos no exílio estiveram associados a tentativas de desestabilização do regime cubano, incluindo a invasão da Baía dos Porcos, em 1961.

O incidente surge numa altura em que as relações bilaterais permanecem tensas, com Washington a manter forte pressão económica sobre Havana. As circunstâncias exatas do confronto continuam por esclarecer, enquanto decorrem pedidos de investigação independente por parte de responsáveis norte-americanos.

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