Agente despedida por simular teletrabalho

Uma agente da Avon and Somerset Police foi despedida depois de se ter apurado que simulava atividade profissional durante o regime de teletrabalho, utilizando um objeto para manter o teclado pressionado e evitar que o computador entrasse em modo de suspensão.

Uma agente da Avon and Somerset Police
Agente despedida por simular teletrabalho © Getty Images

A agente, identificada apenas como “Sargento X”, foi considerada culpada de falta grave e ficou proibida de exercer funções em qualquer organismo de aplicação da lei no Reino Unido, após decisão do painel disciplinar.

PUBLICIDADE

Carro apreendido por falta de seguro? Cotação de seguro para veículos apreendidos pela polícia no Reino Unido por falta de seguro ou de documentação.

Segundo o Departamento de Normas Profissionais da corporação, os sistemas internos de monitorização detetaram, em 2024, um número invulgarmente elevado de toques no teclado associados à conta da agente. Os registos eram descritos como “significativamente altos” quando comparados com os de colegas que desempenhavam funções semelhantes.

Em diversos turnos analisados, o volume de atividade registada situava-se entre três a oito vezes acima da média dos restantes profissionais na mesma categoria. A discrepância levou à abertura de uma investigação formal para apurar se os dados refletiam efetiva produtividade ou uma tentativa de manipulação dos sistemas de controlo.

A apuração dos factos revelou que, na maioria dos casos, os registos não correspondiam a trabalho real. A própria agente admitiu ter utilizado o canto de uma moldura de fotografia para manter uma tecla pressionada, impedindo assim que o computador entrasse automaticamente em modo de descanso.

Durante o processo disciplinar, a Sargento X alegou que atravessava dificuldades pessoais no período em causa. Ainda assim, o painel considerou que o comportamento constituiu uma violação deliberada das normas de conduta e dos deveres inerentes à função policial.

O subchefe Craig Holden, que presidiu ao painel, concluiu que a conduta configurava falta grave, salientando que a confiança e a integridade são pilares essenciais no exercício de funções policiais, independentemente do regime de trabalho.

Confiança pública e integridade em causa no teletrabalho policial

A superintendente-detetive Larisa Hunt, responsável pelo Departamento de Normas Profissionais da Avon and Somerset Police, afirmou que o caso é “extremamente dececionante” e sublinhou o impacto negativo que este tipo de comportamento pode ter na imagem da instituição.

Segundo a dirigente, atitudes desta natureza não só prejudicam a reputação da força policial, como também podem comprometer a confiança do público nas responsabilidades e deveres atribuídos aos agentes. Hunt reconheceu que muitos profissionais enfrentam elevados níveis de pressão e cargas de trabalho exigentes, mas frisou que tal contexto não legitima práticas enganosas nem o abuso da confiança depositada na função.

A responsável destacou ainda que a esmagadora maioria dos agentes e funcionários desempenha as suas funções com dedicação e profissionalismo, reforçando o compromisso da instituição com a transparência e a responsabilidade.

O caso surge num contexto em que várias forças de segurança britânicas adotaram regimes de teletrabalho parcial, especialmente após a pandemia, exigindo a implementação de mecanismos de supervisão tecnológica para garantir o cumprimento das obrigações profissionais.

Outros episódios semelhantes noutras forças policiais do Reino Unido

A Sargento X não é a única agente envolvida em situações de simulação de atividade profissional em regime remoto. Em setembro, o agente Niall Thubron, de 33 anos, da Durham Police, foi investigado por recorrer a uma prática conhecida como “key jamming”, com o objetivo de criar a aparência de que estaria a executar tarefas enquanto trabalhava a partir de casa.

PUBLICIDADE

Conduz no Reino Unido? Compare preços de seguros de mais de 100 seguradoras em menos de 3 minutos no portal de comparação de seguros Icompare4u.

De acordo com as autoridades, o agente pretendia “dar a impressão” de que estava a concluir trabalho administrativo, quando na realidade não o fazia. O processo disciplinar concluiu que a conduta configurava igualmente falta grave. Contudo, Thubron apresentou demissão antes da aplicação de uma sanção formal de despedimento.

Também em junho, o agente Liam Reakes acumulou mais de 100 horas de trabalho consideradas falsas ao manter pressionada a tecla “Z” do teclado. Estima-se que tenha produzido quase 11 milhões de caracteres durante o período em que simulava atividade profissional em teletrabalho. Tal como nos casos anteriores, o agente acabou por abandonar funções antes da conclusão do processo disciplinar.

Estes episódios reacendem o debate sobre os mecanismos de controlo e avaliação de desempenho em contexto de teletrabalho nas forças de segurança. Especialistas defendem que, para além das ferramentas tecnológicas de monitorização, é fundamental reforçar a cultura de responsabilidade individual e ética profissional, de modo a preservar a confiança pública — um elemento central no funcionamento de qualquer instituição policial.

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top