Nathan Long, 30 anos, nunca tinha disparado uma arma antes de se voluntariar para a Legião Estrangeira da Ucrânia. Motivado por imagens da invasão russa e pelo desejo de impedir o avanço de Vladimir Putin, o sul-londrino deixou a vida confortável como trabalhador da construção civil e pai de família para lutar na linha da frente, a mais de 2.400 km de casa.

Em declarações à imprensa, Nathan explica que sentiu que precisava agir antes que fosse tarde demais: “Preferia que se dissesse no meu túmulo que tentei fazer algo do que dizer ao meu filho que não fiz, enquanto mísseis caíam sobre a Europa.” Após uma curta entrevista via WhatsApp com recrutadores, partiu para Kyiv, deixando para trás memórias pessoais para o filho e enfrentando a dura realidade da guerra já na primeira noite, abrigando-se de ataques de drones russos no metro da capital.
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O treino militar foi intenso: marchas de 30 km carregando equipamentos, aprendizagem de deteção de armadilhas, manuseamento de rifles e adaptação a temperaturas de -5ºC em trincheiras, dormindo em foxholes com outros soldados de diversas nacionalidades. Nathan admite que falhou em algumas tarefas iniciais, mas rapidamente aprendeu a lidar com as exigências físicas e psicológicas do combate. Durante o treino, sofreu uma luxação no ombro, recuperando com o auxílio de colegas, destacando a camaradagem que se formou entre os voluntários.
Primeiros combates e experiências na linha da frente
Um ano depois, Nathan tornou-se um combatente experiente. Participou em emboscadas no leste da Ucrânia, atravessando florestas minadas e sob constante vigilância de drones. Ele descreve zonas de combate como “killzones”, marcadas pela presença de corpos de amigos mortos e armadilhas russas. A perda de companheiros próximos afetou-o profundamente, mas também reforçou o seu sentido de missão e a importância da solidariedade entre soldados estrangeiros e ucranianos.
Nathan relata que a vida no campo de batalha é marcada por pequenos gestos de humanidade, como colegas que lhe ofereceram gelados durante a recuperação da lesão, e momentos de humor negro para aliviar o stress da guerra. Ele destaca ainda a força da população ucraniana, que demonstra hospitalidade apesar das circunstâncias extremas, embora existam indivíduos pró-soviéticos menos receptivos.
Desafios e riscos para voluntários estrangeiros
O recrutamento de estrangeiros na Ucrânia tem aumentado, segundo Oleksii Bezhevets, representante do Ministério da Defesa da Ucrânia. Soldados britânicos sem experiência militar anterior têm procurado a frente de batalha para obter treino real e contribuir na defesa do país. No entanto, o Foreign Office alerta que cidadãos britânicos que participem no conflito podem enfrentar processos criminais ao regressar ao Reino Unido, com risco elevado de vida e apoio governamental limitado em situações de emergência.
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Nathan considera que o apoio ocidental tem sido insuficiente: “A ajuda chega tarde e com hesitação, o que tem um custo terrível em vidas humanas. Já perdi numerosos amigos na guerra, pessoas cujas vidas foram tiradas não pelo destino, mas pela agressão.” Apesar dos perigos, mantém a determinação de lutar e sonha com um futuro onde poderá trabalhar em funções de sentinela na Ásia, após o término do conflito.
Mesmo distante da família, Nathan mantém contacto emocional com o filho e valoriza pequenos prazeres do quotidiano britânico, como o chá à inglesa, enviado por amigos, e demonstra que, mesmo na guerra, a humanidade e a camaradagem entre combatentes podem ser decisivas para sobreviver e preservar a esperança.

