A decisão do primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, de não apoiar publicamente qualquer candidato na segunda volta das eleições presidenciais continua a merecer o apoio de uma parte significativa dos portugueses. De acordo com a sondagem diária realizada pela Pitagórica para o Jornal de Notícias, TSF, TVI e CNN Portugal, 46% dos inquiridos afirmam concordar com a opção assumida por Montenegro logo após a primeira volta do sufrágio.

Na ocasião, o primeiro-ministro justificou a sua posição com o facto de o Partido Social Democrata não estar representado entre os dois candidatos apurados para a segunda volta, marcada para 8 de fevereiro. Desde então, Luís Montenegro tem reiterado a neutralidade institucional do PSD, optando por conceder liberdade de voto aos militantes e simpatizantes sociais-democratas.
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Maioria defende que líder do PSD mantenha postura neutra
Os resultados da sondagem revelam ainda que a maioria dos portugueses considera adequada a manutenção dessa neutralidade. Questionados sobre a atitude que Luís Montenegro deveria assumir nesta fase decisiva, 55% dos inquiridos responderam que o primeiro-ministro deve continuar sem indicar um sentido de voto.
A estabilidade desta opinião é sublinhada pela reduzida variação registada entre os dias 26 e 27 de janeiro, de apenas um ponto percentual, o que indica uma posição consolidada no eleitorado. Este dado reforça a ideia de que a neutralidade do líder do PSD é percecionada como uma postura institucionalmente prudente e politicamente coerente.
Preferência clara por António José Seguro em cenário de apoio
Entre os inquiridos que consideram que Luís Montenegro deveria ter apoiado um dos candidatos, a preferência recai de forma expressiva sobre António José Seguro. Segundo a sondagem, 34% defendem que o eventual endosso do primeiro-ministro deveria ter sido dirigido ao candidato socialista.
André Ventura surge bastante afastado neste cenário hipotético, com apenas 8% das respostas, não conseguindo mobilizar um apoio significativo mesmo entre os eleitores que defendem uma tomada de posição mais clara por parte de Montenegro.
Eleitores desejavam posicionamento dos candidatos eliminados
A sondagem analisou igualmente a opinião dos portugueses sobre o comportamento dos candidatos que ficaram de fora da segunda volta. A maioria dos inquiridos considera que estes deveriam ter manifestado apoio explícito a um dos finalistas, em vez de optarem pelo silêncio ou por posições ambíguas.
António José Seguro surge novamente como o principal beneficiário dessas preferências. Quase metade dos inquiridos entende que Luís Marques Mendes deveria apoiar o candidato socialista — posição que o antigo líder do PSD acabou por assumir. João Cotrim Figueiredo e o almirante Gouveia e Melo também foram apontados como potenciais apoios a Seguro por uma percentagem relevante dos eleitores.
Por contraste, André Ventura recolhe níveis residuais de apoio entre os antigos concorrentes, com valores que não ultrapassam os 10%.
António José Seguro reforça liderança nas intenções de voto
Com a campanha oficial para a segunda volta em curso, António José Seguro surge cada vez mais destacado nas intenções de voto. Os dados mais recentes indicam uma subida de 60,9% para 61,9% num único dia, sem redistribuição dos indecisos. André Ventura registou uma ligeira descida, passando de 26,5% para 26,2%.
Comparando com os resultados da primeira volta, em que Seguro obteve 31,1% dos votos, a sondagem sugere que o candidato socialista praticamente duplicou a sua base eleitoral. A convicção dos eleitores quanto à sua vitória é elevada, com cerca de 90% a acreditarem que será o próximo Presidente da República.
Diferenças demográficas e regionais marcam o eleitorado
A análise do perfil dos eleitores revela diferenças claras em termos de género, idade e distribuição geográfica. António José Seguro recolhe maior apoio entre as mulheres e entre os eleitores com mais de 55 anos. André Ventura apresenta melhores resultados entre os homens e nas faixas etárias intermédias, entre os 35 e os 54 anos, mantendo também uma expressão relevante entre os eleitores mais jovens.
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Em termos regionais, a região Centro destaca-se como a mais favorável a Ventura, embora António José Seguro mantenha vantagem em praticamente todo o território nacional.
Os dados da sondagem reforçam a perceção de que a corrida presidencial entra na reta final com um cenário amplamente favorável a António José Seguro e confirmam a aceitação generalizada da postura de neutralidade assumida por Luís Montenegro no atual contexto político.

