Sérgio Conceição, um dos nomes mais marcantes do futebol português contemporâneo e atual timoneiro dos sauditas do Al Ittihad, abriu o livro numa entrevista exclusiva ao prestigiado jornal italiano Gazzetta dello Sport.

Num diálogo que cruzou a linha entre o profissional e o profundamente pessoal, o técnico português revisitou a sua herança vitoriosa no FC Porto, analisou a sua complexa passagem pelo AC Milan e revelou os contornos da disciplina férrea que aplica, não só no balneário, mas também na educação do seu filho, Francisco Conceição.
O desafio em Milão e a hegemonia histórica no FC Porto
A análise da sua experiência no AC Milan foi um dos pontos centrais da conversa. Sérgio Conceição recordou o arranque fulminante nos “rossoneri”, marcado por vitórias estratégicas frente à Juventus e ao Inter de Milão, que culminaram na conquista imediata de um título.
O treinador detalhou o processo de trabalho intenso, focado na análise minuciosa de vídeo e na motivação psicológica dos atletas. Contudo, a relação com a estrutura diretiva revelou-se um obstáculo.
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Conceição confessou que, apesar dos resultados positivos nos clássicos e de um ritmo pontual de qualificação europeia, a falta de apoio da Direção e os rumores constantes sobre a procura de novos treinadores criaram um ambiente de instabilidade que precipitou o fim da sua ligação ao clube.
Em contraste, o técnico olhou com orgulho para o seu percurso de sete anos no FC Porto. Sob o seu comando, o clube não só recuperou a hegemonia nacional com a conquista de 11 troféus — tornando-o o treinador mais vitorioso da história azul e branca — como também se afirmou como uma potência financeira e desportiva na Europa.
Conceição sublinhou os 600 milhões de euros gerados em transferências e a capacidade de “ferir” gigantes do futebol italiano na Liga dos Campeões, como a Lazio, a Roma e a própria Juventus, provando que o rigor tático pode superar disparidades orçamentais.
Fé, superação e o “sacrifício” na educação de Francisco
Para lá das quatro linhas, a entrevista revelou um homem moldado pela tragédia e pela fé. Sérgio Conceição descreveu o impacto profundo de ter perdido o pai aos 16 anos e a mãe aos 18, admitindo que essa “sombra” o acompanha permanentemente.

A religião surge como o seu grande suporte: recordou a promessa cumprida em Fátima, onde percorreu os últimos 500 metros de joelhos, e revelou que o Papa o convidou para o Jubileu para partilhar a sua história de resiliência. Esta força interior é o que tenta transmitir aos seus cinco filhos, mantendo regras de convivência rígidas, como a proibição de telemóveis durante as refeições, para privilegiar o contacto humano e a partilha de experiências.
A exigência de Conceição atingiu o seu expoente máximo na gestão da carreira do filho, Francisco. O técnico recordou o conselho pragmático que deu ao jovem extremo durante o confinamento de 2020: “Se tens fome… bebe água”. Sérgio notou que o filho estava acima do peso ideal para a alta competição e não hesitou em impor o sacrifício necessário. “Para fazer a diferença, são necessários sacrifícios e mentalidade”, afirmou, comparando a “fome” de sucesso de Francisco com a sua própria experiência de juventude, onde o futebol era o meio de subsistência para a família.
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Atualmente, aos 51 anos e a treinar na Arábia Saudita, Sérgio Conceição continua a investir na sua formação, tendo-se matriculado num mestrado em treino desportivo para continuar a evoluir na carreira, provando que a sua ambição e procura pela excelência não conhecem limites de idade ou de palmarés.

