Tropas russas sob suspeita de canibalismo

Os serviços de informações militares da Ucrânia (GUR) divulgaram recentemente um conjunto de interceções rádio que expõem um cenário de horror e desespero nas fileiras das forças armadas russas.

 militares da Ucrânia
Tropas russas sob suspeita de canibalismo © Reuters

ySegundo os áudios partilhados, a escassez extrema de rações e o colapso das linhas de abastecimento na região de Zaporíjia estarão a levar soldados russos a considerar, e alegadamente a praticar, atos de canibalismo contra os seus próprios camaradas de armas como último recurso para evitar a morte por inanição.

O desespero na linha da frente e os relatos de violência interna

As gravações obtidas pela inteligência ucraniana, embora ainda careçam de uma confirmação independente dada a natureza opaca do conflito em zonas de combate ativo, revelam diálogos de uma brutalidade invulgar. Numa das interceções mais perturbadoras, um militar russo descreve a situação como “completamente caótica”, afirmando que as tropas estão a selecionar os recrutas mais jovens como alvos. “Já estou a afiar as minhas facas. Não me interessa quem tenho de cortar, só quero comer”, ouve-se na gravação, que ilustra o colapso total da moral e da disciplina militar.

O GUR divulgou uma transmissão vazada entre militares russos
O desespero na linha da frente e os relatos de violência interna © Defence Intelligence of Ukraine

Este não é um incidente isolado nos relatórios do GUR. Em junho passado, outra interceção descreveu o caso de um soldado identificado pelo nome de guerra “Brelok”, que terá assassinado e consumido partes do corpo de um colega, referido como “Foma”, ao longo de duas semanas.

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Para as autoridades ucranianas, estes episódios são o reflexo de uma política logística russa que prioriza o avanço territorial em detrimento da sobrevivência básica dos seus operacionais.

Em resposta, a Ucrânia tem intensificado as campanhas de rendição voluntária, prometendo aos soldados russos que, como prisioneiros de guerra, terão garantidas três refeições diárias e o cumprimento das convenções internacionais.

Recrutamento de criminosos e a contraofensiva de propaganda do Kremlin

A degradação das condições humanas na frente de batalha é indissociável da estratégia de recrutamento russa. Desde meados de 2022, Moscovo tem integrado milhares de reclusos nas unidades militares penais conhecidas como “Storm V”.

Entre estes recrutas figuram criminosos condenados por delitos violentos, incluindo Dmitry Malyshev, um conhecido canibal que terá fritado e ingerido órgãos das suas vítimas antes de ser enviado para a frente de combate.

militares da Ucrânia
Recrutamento de criminosos e a contraofensiva de propaganda do Kremlin © Reuters

Se inicialmente estes reclusos recebiam um perdão presidencial após seis meses de serviço, as regras mudaram em 2024: agora, os recrutas prisionais são libertados sob liberdade condicional e obrigados a permanecer nas fileiras até ao fim das hostilidades.

Paralelamente, o Kremlin tem tentado mitigar estas revelações com a sua própria narrativa de carências no lado ucraniano.

Durante a sua conferência de imprensa de balanço do ano, o presidente Vladimir Putin afirmou que o número de desertores no exército ucraniano está a aumentar devido à falta crítica de alimentos, água, vestuário e munições. Segundo Putin, os soldados ucranianos fogem “para tentar sobreviver”, sabendo que as suas posições serão destruídas.

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Apesar das denúncias de fome e desespero, a região de Zaporíjia tem sido palco dos avanços russos mais rápidos dos últimos meses.

Este paradoxo — progressão territorial face a uma crise humanitária interna — levanta questões profundas sobre a sustentabilidade das operações russas e o custo humano que Moscovo está disposto a tolerar para manter a iniciativa militar no terreno.

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