Satélites mostram danos em bases dos EUA no Médio Oriente

Novas análises de imagens de satélite indicam que os danos provocados por ataques iranianos contra instalações militares norte-americanas no Médio Oriente poderão ser significativamente superiores ao que tinha sido divulgado publicamente até agora. Segundo informações avançadas pelo jornal norte-americano The Washington Post, pelo menos 228 estruturas ou equipamentos militares dos Estados Unidos terão sido atingidos durante o recente conflito envolvendo EUA, Israel e Irão.

Novas análises de imagens de satélite
Satélites mostram danos em bases dos EUA no Médio Oriente © Direitos Reservados

Os dados agora revelados apontam para um cenário de destruição mais amplo em várias bases estratégicas da região, incluindo instalações no Bahrein, Kuweit, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

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Empresas de imagens de satélite terão restringido acesso após pressão do Pentágono

Ainda antes de o conflito completar duas semanas, duas das principais empresas norte-americanas especializadas em imagens de satélite, Vantor e Planet Labs, começaram a limitar o acesso às imagens da região do Médio Oriente.

Segundo vários meios de comunicação dos Estados Unidos, as empresas alegaram inicialmente que a decisão tinha sido tomada por iniciativa própria. No entanto, informações posteriores indicam que a medida terá resultado de pressão exercida pelo Pentágono, um dos maiores clientes das plataformas.

A restrição dificultou durante vários dias a análise independente da dimensão dos ataques e dos danos sofridos pelas infraestruturas militares norte-americanas na região.

As novas conclusões foram obtidas através da análise de imagens divulgadas por meios de comunicação iranianos, posteriormente comparadas com outros registos para confirmar a autenticidade e localização dos ataques.

Bases militares no Bahrein e Kuweit registaram os maiores danos

De acordo com a investigação do The Washington Post, mais de metade dos danos identificados concentrou-se no quartel-general da 5.ª Frota dos Estados Unidos, no Bahrein, e em três bases militares situadas no Kuweit.

Fontes citadas pelo jornal norte-americano indicam que estes locais terão sido escolhidos por estarem ao alcance operacional de ataques lançados a partir do território iraniano.

Entre os equipamentos destruídos encontram-se sistemas antimíssil Patriot no Bahrein e no Kuweit, sistemas de radar THAAD na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, além de uma antena parabólica localizada na Base de Apoio Naval do Bahrein.

Uma aeronave de comando e controlo E-3 Sentry também terá sido destruída numa base militar na Arábia Saudita. Segundo a investigação, o avião encontrava-se estacionado repetidamente numa área desprotegida da base.

Além disso, um avião-tanque de reabastecimento aéreo foi igualmente atingido durante os bombardeamentos.

Ataques iranianos provocaram mortos e centenas de feridos

As informações divulgadas indicam que sete militares norte-americanos morreram durante os ataques e mais de 400 ficaram feridos.

Os novos dados corroboram informações anteriormente avançadas pela CNN Internacional, que já tinha referido a existência de um nível de destruição superior ao reconhecido oficialmente pelo Pentágono.

Até ao momento, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos recusou comentar publicamente as conclusões apresentadas pelas investigações jornalísticas.

Um responsável norte-americano citado pelo Post classificou os danos na Base Naval de Apoio, no Bahrein, como “extensos”. A situação obrigou o quartel-general da 5.ª Frota a transferir temporariamente operações para a Base Aérea de MacDill, no estado norte-americano da Florida.

Segundo duas fontes ouvidas pelo jornal, existe mesmo a possibilidade de algumas forças norte-americanas nunca regressarem às bases regionais nos mesmos moldes anteriores ao conflito.

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Especialistas alertam para vulnerabilidade das bases dos EUA

Analistas militares consultados pelo jornal consideram que os Estados Unidos poderão não ter preparado adequadamente as suas bases para enfrentar ataques com pequenos drones de utilização única, uma das estratégias utilizadas pelo Irão durante os bombardeamentos.

Apesar de transportarem cargas explosivas relativamente reduzidas, estes drones conseguem ultrapassar sistemas tradicionais de defesa aérea e atingir estruturas sensíveis com elevada eficácia.

Um dos exemplos apontados foi o centro de comando no Kuweit, onde seis militares morreram num ataque que, segundo especialistas, atingiu uma instalação aparentemente pouco protegida contra ofensivas aéreas de pequena escala.

Os analistas admitem ainda que Washington poderá ter subestimado a capacidade operacional iraniana, bem como o nível de informação recolhida por Teerão sobre infraestruturas militares norte-americanas no Médio Oriente.

Outro fator referido é o desgaste dos sistemas de defesa aérea provocado pela guerra de 12 dias ocorrida no ano anterior, situação que poderá ter reduzido a eficácia da resposta militar norte-americana.

Algumas estruturas destruídas poderão ter sido abandonadas previamente

Apesar da dimensão dos danos registados, o The Washington Post refere também a possibilidade de algumas infraestruturas destruídas terem sido previamente evacuadas ou deixadas deliberadamente como alvos secundários.

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Segundo esta hipótese, algumas estruturas menos relevantes poderão ter sido mantidas expostas para desviar ataques de instalações consideradas mais estratégicas ou sensíveis.

O caso continua a levantar dúvidas sobre a real capacidade defensiva das bases militares dos EUA no Médio Oriente e sobre os impactos estratégicos do recente conflito envolvendo Irão, Israel e Estados Unidos.

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