Reino Unido prevê subida de preços durante mais de oito meses após guerra com o Irão

Os consumidores no Reino Unido poderão enfrentar aumentos de preços durante mais de oito meses mesmo após o fim do conflito entre o Irão e os Estados Unidos, segundo indicou o ministro britânico Darren Jones. O responsável alertou para pressões inflacionistas em vários setores, incluindo energia, alimentação e transportes.

Os consumidores no Reino Unido
Reino Unido prevê subida de preços durante mais de oito meses após guerra com o Irão © EPA

Em declarações à BBC, o governante afirmou que o país deve preparar-se para um período prolongado de custos mais elevados, numa altura em que a instabilidade no Médio Oriente continua a afetar cadeias globais de abastecimento.

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Segundo Darren Jones, os efeitos económicos não deverão limitar-se às próximas semanas, podendo prolongar-se por vários meses após uma eventual resolução diplomática da crise.

Estreito de Ormuz e fornecimento energético no centro das preocupações

Uma das principais preocupações do Governo britânico prende-se com o impacto no fornecimento global de gás natural, após perturbações relacionadas com o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de energia.

A situação levou o primeiro-ministro Keir Starmer a convocar uma reunião de comité ministerial para discutir os efeitos económicos do conflito e preparar respostas para possíveis falhas logísticas e escassez de bens essenciais.

As autoridades britânicas já tinham elaborado planos de contingência para um cenário mais grave, incluindo eventuais ruturas no abastecimento alimentar durante o verão.

Energia, combustíveis e bilhetes de avião poderão encarecer

Darren Jones admitiu que os consumidores sentirão aumentos nos preços da eletricidade, combustíveis e viagens aéreas. Entre os fatores analisados pelo Executivo estão os custos do combustível de aviação, do gasóleo e de outras matérias-primas dependentes da estabilidade internacional.

Especialistas económicos consideram que choques geopolíticos em regiões produtoras de petróleo tendem a repercutir-se rapidamente nos mercados europeus, com impacto direto no custo de vida.

As companhias aéreas e os setores logísticos poderão também rever preços caso os custos operacionais se mantenham elevados durante um longo período.

Alimentos frescos e carne entre os produtos mais afetados

No setor alimentar, representantes agrícolas alertaram que alguns dos primeiros produtos a subir de preço poderão ser tomates e pepinos, devido à dependência de produção em estufas no Reino Unido, fortemente ligada ao custo energético.

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Segundo responsáveis da National Farmers’ Union, o leite e a carne poderão registar aumentos entre três e seis meses após o agravamento da crise, refletindo custos de produção mais elevados.

Os produtores agrícolas têm alertado para a vulnerabilidade da cadeia alimentar britânica face ao aumento da energia e dos fertilizantes.

Governo tenta proteger abastecimento de CO2 e setor da restauração

Outro recurso considerado crítico é o dióxido de carbono (CO2), utilizado no abate animal, conservação alimentar e no setor das bebidas. A escassez desta matéria-prima poderá afetar desde a indústria alimentar até aos pubs britânicos.

Para minimizar riscos, o Governo está a apoiar a reativação da fábrica de bioetanol Ensus, em Teesside, que produz CO2 como subproduto industrial.

As autoridades pretendem garantir o abastecimento durante o verão, especialmente num período de grande procura associado a eventos desportivos internacionais e maior consumo no setor da hotelaria.

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Governo pede preparação para meses difíceis

Apesar da incerteza sobre a duração exata da crise, o Executivo britânico admite que o impacto económico poderá persistir por um longo período mesmo após uma eventual normalização diplomática.

O Reino Unido prepara-se, assim, para enfrentar novos desafios no custo de vida, numa altura em que muitas famílias continuam a recuperar de anteriores ciclos de inflação elevada.

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