Reabertura do Bar Académico divide Braga

Moradores da zona envolvente ao Conservatório Gulbenkian, em Braga, estão a organizar-se para impedir a reabertura do Bar Académico da Universidade do Minho, local junto ao qual um jovem de 19 anos, conhecido por “Manu”, foi morto com três facadas. A contestação intensificou-se nos últimos dias, numa altura em que o julgamento do homicídio tem início marcado para segunda-feira, dia 26 de janeiro, no Tribunal Judicial de Braga.

Moradores da zona envolvente ao Conservatório Gulbenkian
Reabertura do Bar Académico divide Braga © Joaquim Gomes

De acordo com os residentes, o funcionamento de um bar noturno naquele local é incompatível com o carácter residencial da área. Vários vizinhos admitem avançar com uma manifestação pública caso a reabertura do espaço, prevista para os primeiros dias de fevereiro, se concretize.

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Paula Alexandre Azevedo, porta-voz dos moradores, afirmou que a comunidade tem vivido durante anos com problemas associados ao bar, como ruído excessivo, ajuntamentos noturnos e perturbações da ordem pública. Sublinhou ainda que na zona residem famílias com crianças e pessoas idosas, defendendo que o descanso e a segurança devem prevalecer.

Reabertura gera polémica por coincidir com julgamento

Os moradores consideram particularmente grave o facto de a reabertura estar prevista para um período coincidente com o julgamento do homicídio que ocorreu à porta do estabelecimento. Para os residentes, essa decisão revela falta de sensibilidade face à gravidade do crime e ao impacto que o mesmo teve na comunidade local.

Segundo a porta-voz, os moradores já contactaram diversas entidades, incluindo a Câmara Municipal de Braga, a Junta de Freguesia de São Victor, a PSP, a Polícia Municipal e a Reitoria da Universidade do Minho, manifestando a oposição à reabertura de uma casa de diversão noturna naquele local.

Os residentes defendem que espaços com estas características deveriam funcionar em zonas afastadas de áreas habitacionais, apontando como alternativas o Campus de Gualtar da Universidade do Minho ou zonas industriais do concelho.

Associação Académica defende nova fase do espaço

A Associação Académica da Universidade do Minho mantém, no entanto, a intenção de reabrir o Bar Académico. O presidente da associação, Luís Guedes, anunciou a decisão durante a tomada de posse dos novos órgãos sociais para o mandato de 2026, sublinhando a importância do espaço para a vida académica.

Em declarações à Rádio Universitária do Minho, Luís Guedes garantiu que a reabertura será feita de forma gradual e responsável, com o objetivo de corrigir erros do passado. O dirigente afirmou ainda que a associação pretende estabelecer uma relação mais equilibrada com as autoridades locais e assegurar o cumprimento rigoroso das normas de segurança.

A reabertura está integrada na Semana da Euforia, iniciativa que marca o início do semestre e inclui atividades culturais, recreativas, desportivas e sociais destinadas aos estudantes da Universidade do Minho.

Novo concessionário assume exploração e realiza obras

A gestão do espaço foi atribuída a um novo concessionário após concurso público. O empresário Alberto Martins, que explora outros estabelecimentos de diversão noturna frequentados por estudantes em Braga e Guimarães, venceu o processo e assinou contrato com a associação académica.

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Segundo Luís Guedes, o novo concessionário já iniciou obras de requalificação no espaço, com várias intervenções estruturais e melhorias visíveis na fachada. A associação garante que estas alterações visam melhorar as condições de funcionamento e evitar os problemas registados no passado.

Apesar das garantias dadas, os moradores mantêm a oposição firme à reabertura do Bar Académico, sublinhando que a prioridade deve ser a tranquilidade da zona residencial e o respeito pela memória da vítima. O caso continua a gerar divisão entre a comunidade local e a comunidade académica, num contexto marcado por forte carga emocional e social.

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