Dinamarca desmente Trump: Gronelândia não se vende à NATO

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reiterou esta quinta-feira que a Gronelândia não pode ser objeto de negociação em questões de soberania, desmentindo declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen
Dinamarca desmente Trump: Gronelândia não se vende à NATO © Liselotte Sabroe/Ritzau Scanpix/AFP

Na quarta-feira, durante o Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, Trump afirmou existir um “quadro de um futuro acordo” sobre a segurança no Ártico, mencionando a Gronelândia, território semi-autónomo da Dinamarca. Frederiksen esclareceu, porém, que não existe qualquer pacto com a NATO e que decisões relativas à soberania são exclusivas da Dinamarca e da Gronelândia.

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Esta polémica surge meses após Trump ter sugerido a compra da Gronelândia, proposta que provocou uma forte reação diplomática. Na ocasião, a líder dinamarquesa afirmou que a ilha “não está à venda” e classificou a ideia de “absurda”.

Controvérsias sobre defesa e interesses no Ártico

Trump também referiu discussões sobre o programa anti-míssil Golden Dome, avaliado em 175 mil milhões de dólares, que poderá incluir armamento no espaço, embora sem detalhar o tipo de tecnologia envolvida.

Em comunicado, Frederiksen sublinhou que a segurança no Ártico é uma preocupação comum da NATO e que é natural que os Estados Unidos debatam o tema com a Aliança Atlântica. Contudo, reforçou que qualquer decisão sobre soberania pertence exclusivamente à Dinamarca e à Gronelândia.

Com cerca de 56 mil habitantes, a Gronelândia goza de autonomia política e económica limitada, mantendo a soberania dinamarquesa em questões internacionais e de defesa. Aaja Chemnitz, deputada da Gronelândia no Parlamento dinamarquês, criticou as declarações de Trump, afirmando que a NATO não tem mandato para negociar assuntos do território autónomo.

“Seria completamente errado pensar que a Aliança Atlântica tem qualquer influência sobre a Gronelândia”, declarou Chemnitz nas redes sociais, considerando as afirmações do presidente norte-americano como “uma completa loucura”.

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O episódio evidencia as tensões entre aliados da NATO na discussão de interesses estratégicos no Ártico, uma região valorizada pelos seus recursos naturais e importância geopolítica. Frederiksen assegurou que a Dinamarca continuará a cooperar com a NATO em segurança e economia, mantendo, contudo, a defesa firme da soberania do território autónomo.

1 thought on “Dinamarca desmente Trump: Gronelândia não se vende à NATO”

  1. É interessante ver como as coisas podem ficar tão fora de controle quando se mistura política e negócios internacionais de forma tão desrespeitosa.

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