O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou esta terça-feira o lançamento bem-sucedido do míssil balístico intercontinental RS-28 Sarmat, conhecido no Ocidente como “Satan II”, arma que Moscovo descreve como “o míssil mais poderoso do mundo”.

Segundo o chefe de Estado russo, o novo sistema deverá entrar ao serviço operacional até ao final do ano e terá um papel central na estratégia de dissuasão nuclear da Rússia, numa altura marcada pelo agravamento das tensões geopolíticas internacionais.
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O Kremlin garante que o RS-28 Sarmat possui capacidade para transportar múltiplas ogivas nucleares hipersónicas e atingir alvos a enormes distâncias, ultrapassando sistemas de defesa antimíssil desenvolvidos pelos países ocidentais.
Durante a declaração oficial, Putin afirmou que o reforço do arsenal estratégico russo tornou-se necessário perante a “nova realidade internacional” e a necessidade de preservar o equilíbrio militar global.
RS-28 Sarmat é apresentado como um dos mais avançados sistemas nucleares russos
O míssil RS-28 Sarmat foi desenvolvido para substituir os antigos sistemas soviéticos e é apontado pelas autoridades russas como uma das armas nucleares mais sofisticadas já produzidas pelo país.
Segundo a agência estatal RIA Novosti, o Sarmat possui um alcance superior a 21 mil milhas e consegue deslocar-se a velocidades superiores a cinco vezes a velocidade do som.
A capacidade hipersónica do sistema torna extremamente difícil a sua interceção por escudos antimíssil tradicionais, aumentando significativamente o potencial de ataque estratégico russo.
O teste foi realizado numa base militar russa às 11h15 locais, segundo confirmou o coronel-general Sergei Karakayev.
De acordo com o responsável militar, o lançamento decorreu sem incidentes e todos os objetivos da missão foram alcançados com sucesso.
O primeiro destacamento operacional do sistema deverá acontecer em Krasnoyarsk, região situada a cerca de 3.200 quilómetros a leste de Moscovo.
Putin reforça discurso de dissuasão nuclear perante o Ocidente
Ao comentar o lançamento, Vladimir Putin voltou a defender o fortalecimento da capacidade militar russa face ao atual cenário internacional.
Segundo o líder russo, Moscovo teve de tomar medidas para garantir a sua segurança estratégica e preservar a paridade militar perante aquilo que considera serem ameaças externas crescentes.
Putin já havia apresentado publicamente o RS-28 Sarmat em 2018, durante um discurso sobre o Estado da Nação, onde exibiu imagens simuladas do míssil a sobrevoar o Atlântico em direção à costa oeste dos Estados Unidos.
Na altura, o Presidente russo afirmou que o sistema seria praticamente “invisível” aos mecanismos de defesa norte-americanos, embora especialistas ocidentais tenham colocado em causa algumas dessas alegações.
O chefe de Estado reiterou também que qualquer utilização de armas nucleares contra a Rússia ou os seus aliados será interpretada como um ataque nuclear direto ao território russo.
Analistas russos dizem que míssil garante “escudo” estratégico
Especialistas militares russos consideraram o teste um marco importante para a estratégia de defesa do país.
Igor Korotchenko afirmou à agência estatal TASS que o novo sistema fortalece a capacidade de resposta da Rússia perante eventuais ataques militares em larga escala.
Segundo o analista, o Sarmat poderá desempenhar um papel determinante caso a Rússia enfrente um cenário de confronto nuclear ou operações militares diretas contra o país.
Também Vladimir Degtyar destacou que o míssil deverá reforçar o potencial de combate das forças armadas russas durante as próximas décadas.
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O responsável afirmou que o sistema funcionará como um “escudo confiável” e como um dos principais elementos de dissuasão nuclear da Rússia.
Programa enfrentou falhas e atrasos antes do sucesso atual
Apesar da celebração oficial em torno do lançamento, o desenvolvimento do RS-28 Sarmat enfrentou vários problemas técnicos ao longo dos últimos anos.
Em 2024, um dos testes terminou com uma explosão dentro do silo de lançamento no noroeste da Rússia, provocando uma cratera com cerca de 60 metros de largura e levantando dúvidas sobre a fiabilidade do programa.
O incidente representou um revés importante para o Kremlin, que tem investido fortemente na modernização das suas capacidades nucleares e militares desde o agravamento das tensões com o Ocidente.
Ainda assim, Moscovo continua a considerar o Sarmat uma peça fundamental da sua estratégia de defesa e um símbolo do reforço militar russo num cenário internacional cada vez mais instável.
Tensão internacional aumenta atenção sobre armamento nuclear russo
O anúncio do teste surge num momento de elevada tensão geopolítica, marcado pela guerra na Ucrânia e pelo agravamento das relações entre a Rússia e os países da NATO.
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Nos últimos anos, o Kremlin tem intensificado os investimentos em armamento estratégico e sistemas hipersónicos, procurando demonstrar capacidade militar perante os Estados Unidos e os seus aliados.
O desenvolvimento do RS-28 Sarmat é visto por vários analistas internacionais como parte da estratégia russa de reafirmação do seu poder militar global e de manutenção da capacidade de dissuasão nuclear perante o atual equilíbrio internacional.

