O Presidente de Angola, João Lourenço, afirmou esta terça-feira, em Argel, que a Argélia é um “país irmão” e um “aliado seguro”, sublinhando os laços históricos, políticos e diplomáticos que unem as duas nações africanas.

O chefe de Estado angolano discursou perante os membros das duas câmaras do Parlamento argelino, no Palácio das Nações, onde destacou o papel desempenhado pela Argélia no apoio à independência de Angola e na formação de quadros angolanos ao longo das últimas décadas.
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Segundo João Lourenço, os dois países partilham valores comuns e uma visão convergente sobre os principais desafios enfrentados pelo continente africano e pela comunidade internacional.
João Lourenço recorda apoio da Argélia à independência de Angola
Durante a intervenção, João Lourenço elogiou o contributo político e material dado pela Argélia em diferentes momentos da história angolana, considerando que o país magrebino teve um papel determinante na consolidação da soberania nacional de Angola.
Ao dirigir-se aos parlamentares argelinos, o Presidente angolano afirmou que o povo argelino foi “inexcedível” no apoio à luta angolana contra o colonialismo português e no reconhecimento de Angola enquanto Estado independente.
O estadista recordou ainda o percurso histórico comum dos dois povos, marcado pela resistência à opressão colonial e pela luta pela autodeterminação, liberdade e afirmação cultural.
João Lourenço discursou trajado com um Burnous, manto tradicional e simbólico da cultura argelina, num gesto interpretado como sinal de respeito e proximidade entre os dois países.
Presidente angolano alerta para riscos globais e defende reforma da ONU
No discurso proferido em Argel, o Presidente da República abordou também temas ligados à geopolítica internacional, às alterações climáticas e à necessidade de reforma das instituições multilaterais.
João Lourenço defendeu uma reforma urgente do United Nations Security Council, sobretudo no que diz respeito à representatividade dos países africanos nas estruturas de decisão internacionais.
O chefe de Estado criticou igualmente o atual modelo da arquitetura financeira global, defendendo maior equilíbrio e justiça nas relações económicas internacionais.
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Ao abordar os conflitos internacionais, João Lourenço alertou para o crescimento de práticas que ignoram o Direito Internacional e a convivência pacífica entre os povos, considerando que essa tendência pode conduzir o mundo a uma “conflagração global com consequências dramáticas”.
O Presidente angolano mencionou os conflitos na Ucrânia, Médio Oriente, Sudão, República Democrática do Congo, Líbia, Somália e Mali como exemplos da necessidade urgente de privilegiar soluções políticas e diplomáticas.
Angola e Argélia defendem exploração justa dos minerais críticos
Outro dos pontos centrais do discurso esteve relacionado com os recursos minerais estratégicos existentes em África. João Lourenço defendeu que os minerais críticos africanos devem ser explorados de acordo com as regras do comércio internacional e dentro de um quadro de equilíbrio, justiça e equidade.
Segundo o Presidente angolano, África deve utilizar os seus recursos naturais como instrumento para acelerar a industrialização do continente e promover o desenvolvimento económico sustentável.
O estadista considerou que Angola e Argélia, países com uma longa trajetória de superação de desafios históricos, têm a responsabilidade de defender uma gestão rigorosa dos recursos africanos em benefício das populações do continente.
Relações bilaterais entre Angola e Argélia deverão ser reforçadas
João Lourenço destacou ainda que as visitas diplomáticas entre os dois países têm permitido identificar novas áreas de cooperação estratégica e aprofundar mecanismos conjuntos de desenvolvimento.
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O Presidente afirmou que Angola e Argélia procuram reforçar parcerias capazes de impulsionar o progresso económico e social das duas nações, consolidando uma relação histórica assente na solidariedade, cooperação e visão comum para África.

