A Polícia de Segurança Pública (PSP) suspendeu, na manhã desta sexta-feira, a recolha de dados biométricos nas partidas dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, numa tentativa de evitar que os passageiros percam os seus voos devido ao aumento significativo dos tempos de espera.

A decisão surge após a verificação de longas filas nos principais aeroportos nacionais, nomeadamente o Aeroporto Humberto Delgado, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro e o Aeroporto Gago Coutinho. De acordo com o porta-voz da PSP, Sérgio Soares, a suspensão foi aplicada logo no início da operação diária, de forma a mitigar o impacto do elevado fluxo de passageiros.
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A medida tem caráter temporário e incide apenas sobre as partidas. Nas chegadas, a recolha de dados biométricos mantém-se em funcionamento, respeitando as diretrizes europeias em vigor. A PSP sublinha que esta decisão foi tomada como forma de resposta imediata a um cenário de pressão operacional nos aeroportos, procurando assegurar maior fluidez no processamento dos passageiros.
Novo sistema europeu agrava tempos de espera
O Sistema Europeu de Entrada/Saída (EES) é um sistema automatizado implementado pela União Europeia que substitui o carimbo manual no passaporte pelo registo digital de dados biométricos, como fotografia facial e impressões digitais, para cidadãos de países terceiros.
Este sistema começou a ser implementado de forma faseada em outubro de 2025 e entrou em pleno funcionamento em toda a União Europeia na passada sexta-feira. Em Portugal, a sua aplicação teve início a 12 de outubro, abrangendo os aeroportos integrados no espaço Schengen.
Contudo, a introdução deste novo modelo de controlo fronteiriço trouxe desafios operacionais, sobretudo ao nível da gestão de filas e tempos de espera. A segunda fase do EES, implementada a 10 de dezembro nos aeroportos portugueses e centrada na recolha de dados biométricos, agravou ainda mais a situação, particularmente no aeroporto de Lisboa, onde os tempos de espera chegaram a atingir várias horas.
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Especialistas do setor da aviação e do controlo de fronteiras têm alertado para a necessidade de reforço de recursos humanos e tecnológicos, de modo a garantir uma implementação eficaz do sistema sem comprometer a experiência dos passageiros.
Objetivo é garantir fluidez sem comprometer a segurança
Segundo a PSP, a suspensão temporária da biometria nas partidas visa assegurar que os tempos de espera se mantenham dentro de limites aceitáveis, evitando situações críticas como a perda de voos por parte dos passageiros.
Apesar desta suspensão, o controlo de segurança continua a ser efetuado com os padrões habituais, garantindo o cumprimento das normas de segurança e controlo fronteiriço. A PSP reforça que a medida não compromete a integridade do sistema de segurança aeroportuária, tratando-se apenas de um ajustamento operacional face ao volume excecional de passageiros.
O elevado número de pessoas a sair do espaço Schengen através dos aeroportos portugueses, especialmente em períodos de maior procura, tem sido um dos principais fatores para o aumento da pressão sobre os serviços de controlo.
Medidas anteriores e possíveis soluções futuras
No final de dezembro, o Governo português já tinha anunciado um conjunto de medidas de contingência no Aeroporto Humberto Delgado, com o objetivo de reduzir os tempos de espera, sobretudo na zona das chegadas. Entre essas medidas esteve a suspensão temporária do EES durante três meses, decisão que foi posteriormente revertida com a retoma do sistema.
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Face aos constrangimentos atuais, é expectável que novas soluções possam ser equacionadas, incluindo o reforço de equipas, a otimização dos processos digitais e eventuais ajustes ao funcionamento do sistema em períodos de maior afluência.
A evolução da situação nos próximos dias será determinante para avaliar a eficácia desta suspensão temporária e a necessidade de novas intervenções por parte das autoridades nacionais e europeias.

