Protestos interrompem concertos de Hanukkah em Amesterdão

Milhares de manifestantes concentraram-se, no domingo, nas imediações do Concertgebouw, em Amesterdão, perturbando a realização de concertos de Hanukkah e provocando fortes tensões na capital neerlandesa. As manifestações decorreram num contexto de elevada sensibilidade, marcado por acusações de antissemitismo e por um forte dispositivo policial.

Policiais em Amsterdã. Protestos interrompem concertos de Hanukkah em Amesterdão
Protestos interrompem concertos de Hanukkah em Amesterdão © Jeroen Jumelet/ANP/AFP

Manifestações pró-palestinianas junto ao Concertgebouw

Várias centenas de manifestantes pró-palestinianos reuniram-se na Museumplein, nas proximidades da emblemática sala de concertos, empunhando bandeiras da Palestina e entoando palavras de ordem dirigidas à instituição cultural. Entre os cânticos ouvidos estiveram frases como “Concertgebouw, vergonha” e acusações de homicídio de crianças, segundo a imprensa local.

Durante o protesto, foram ainda acionados engenhos de fumo nas cores vermelha e verde, o que levou as autoridades a reforçarem as medidas de segurança. A polícia estabeleceu cordões de proteção e barreiras adicionais depois de alguns manifestantes terem tentado ultrapassar os limites definidos. As autoridades confirmaram a realização de detenções, sem avançar números.

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Ao longo da manhã, realizaram-se também pequenos protestos silenciosos junto à entrada principal do Concertgebouw. Cerca de 30 ativistas, autorizados por decisão judicial, exibiram cartazes com mensagens contra a realização dos concertos, sendo dispersados assim que o público começou a entrar no edifício.

Concertos de Hanukkah e reação da comunidade judaica

No interior do Concertgebouw, o concerto público e familiar de Hanukkah decorreu durante a tarde sem incidentes, não contando com a participação do cantor israelita Shai Abramson. Estavam, no entanto, previstos para a noite dois concertos privados, apenas por convite, com a presença do cantor, cuja participação gerou polémica nos dias anteriores devido à sua ligação a cerimónias do exército israelita.

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O presidente do Conselho Judaico Central dos Países Baixos, Chanan Hertzberger, condenou veementemente os protestos, classificando-os como “assédio puro e simples à comunidade judaica”. O responsável sublinhou que “cantar não é um crime”, alertando para o impacto destas ações na segurança e liberdade religiosa.

Responsáveis israelitas encarregues de monitorizar atos antissemitas já tinham alertado para um risco acrescido de distúrbios em Amsterdão, apesar de as manifestações terem sido previamente autorizadas pelas autoridades policiais.

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