Cerca de 2500 pessoas participaram, este sábado, numa manifestação em Berlim contra o acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. O protesto, marcado pela presença de cerca de 50 tratores e pela exibição simbólica de um porco gigante, pretendeu chamar a atenção para os impactos do tratado no setor agrícola europeu e para as preocupações relacionadas com o bem-estar animal.

A iniciativa decorreu num clima pacífico, mas com forte carga simbólica, refletindo o descontentamento de agricultores e ativistas perante um acordo que consideram desequilibrado e prejudicial para a agricultura europeia.
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Agricultores alertam para concorrência desleal e pressão sobre o setor
A manifestação foi convocada pelo movimento “Estamos fartos”, que acusa o acordo de agravar a pressão económica sobre os agricultores europeus, ao facilitar a entrada de produtos provenientes do Mercosul, onde os custos de produção e as exigências ambientais e sanitárias são diferentes.
Em declarações à agência EFE, o porta-voz do movimento, Jan Greve, afirmou que o atual governo alemão está a implementar uma política agrícola que classificou como regressiva. Segundo o responsável, o protesto teve como objetivo lembrar as autoridades da responsabilidade que têm na defesa dos produtores locais, da sustentabilidade agrícola e dos direitos dos animais.
Os manifestantes defendem um modelo agrícola que privilegie a produção local, a proteção ambiental e padrões elevados de bem-estar animal, alertando para o risco de perda de rendimentos e de competitividade das explorações europeias face às importações.
Assinatura de acordo histórico após mais de 25 anos de negociações
A mobilização em Berlim coincidiu com a assinatura oficial do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, concluído após mais de 25 anos de negociações. O tratado estabelece a maior zona de livre-comércio do mundo, num contexto internacional marcado pelo aumento de políticas protecionistas e por tensões comerciais globais.
A cerimónia de assinatura decorre no Grande Teatro José Asunción Flores, no Banco Central do Paraguai, em Assunção, um local de forte simbolismo histórico, por ter sido ali que o Mercosul foi fundado, em 1991. Representantes dos dois blocos participam no evento, sublinhando a relevância estratégica do acordo.
Impacto económico e benefícios para a indústria europeia
De acordo com dados divulgados pela Comissão Europeia, o acordo permitirá a eliminação de tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das exportações sul-americanas para o mercado europeu. O tratado abre um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e representa um Produto Interno Bruto combinado estimado em cerca de 22 biliões de dólares, o equivalente a aproximadamente 19 biliões de euros.

Para a União Europeia, o acordo é visto como uma oportunidade para expandir a presença dos seus setores industriais mais competitivos, nomeadamente a indústria automóvel e a maquinaria industrial. As tarifas atualmente aplicadas, que variam entre 14% e 35%, deverão ser eliminadas de forma progressiva, facilitando o acesso das empresas europeias a novos mercados.
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Apesar das expectativas económicas positivas, os protestos em Berlim evidenciam a persistência de fortes reservas por parte de agricultores e organizações da sociedade civil, que exigem salvaguardas mais eficazes para a agricultura, o ambiente e o bem-estar animal no âmbito da implementação do acordo UE–Mercosul.

