Prisão perpétua após ataque a oficial do Exército em Chatham

Um homem que esfaqueou repetidamente um oficial do Exército britânico, fardado, na via pública em Chatham, no condado de Kent, foi condenado a prisão perpétua, com um período mínimo de sete anos e 162 dias.

Anthony esan
Prisão perpétua após ataque a oficial do Exército em Chatham © PA

Anthony Esan, de 25 anos, declarou-se culpado em janeiro dos crimes de tentativa de homicídio e posse de duas armas brancas. A sentença foi proferida no Maidstone Crown Court, onde o juiz determinou ainda que o arguido deverá permanecer internado numa unidade hospitalar pelo tempo que for considerado necessário, tendo em conta o seu estado psiquiátrico.

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O ataque ocorreu em julho de 2024, numa rua próxima do quartel de Brompton Barracks, quando o tenente-coronel Mark Teeton foi abordado por Esan. O agressor pediu-lhe o telemóvel alegando que a sua mota tinha avariado. Aproveitando um momento de distração, utilizou duas facas para desferir múltiplos golpes.

A vítima sofreu um corte profundo no lado direito do pescoço, várias perfurações no tórax e abdómen, bem como ferimentos adicionais no braço, na virilha e na coxa. Segundo os médicos, a sua sobrevivência foi considerada “um milagre”.

Referências ao homicídio de Lee Rigby e histórico psiquiátrico do agressor

Durante a audiência de sentença, o juiz Picken considerou que o ataque foi “deliberado e direcionado”, sublinhando que Esan procurava especificamente um militar fardado com a intenção de o matar. Ficou provado que o arguido pesquisou na internet ataques com faca e, em particular, o homicídio de Lee Rigby, militar assassinado em 2013 por extremistas em Woolwich, no sudeste de Londres.

De acordo com o tribunal, peritos concordaram que Esan sofria de esquizofrenia no momento do ataque. Ainda assim, o juiz considerou que essa condição não o ilibava da responsabilidade criminal, afirmando que a doença psiquiátrica fazia parte do contexto, mas não explicava por completo a conduta planeada do agressor.

O magistrado acrescentou que é pouco provável que Esan volte a ser libertado para a comunidade, devido ao risco de reincidência.

Testemunhos da vítima e da família revelam momentos de terror

À saída do tribunal, o tenente-coronel Teeton, com 26 anos de serviço e missões no Iraque e no Afeganistão, afirmou sentir-se grato por estar vivo e acolheu a decisão judicial como reflexo das provas recolhidas pelas autoridades sobre a premeditação do ataque.

A esposa da vítima, Eileen Teeton, teve um papel decisivo no momento do ataque. O tribunal ouviu que, ao ver um militar caído no chão junto à residência familiar, correu para ajudar sem perceber inicialmente que se tratava do marido. Empurrou o agressor antes de se aperceber de que este empunhava uma faca, descrevendo mais tarde uma “onda de terror” ao temer pela própria vida.

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No hospital, o oficial questionou a esposa se os colegas de trabalho sabiam o que o agressor tinha tentado fazer. Quando ela perguntou o que era, respondeu: “Cortar-me a cabeça. Como Lee Rigby.”

A procuradora Alison Morgan KC classificou o ataque como “violento e deliberado”, defendendo que Teeton foi escolhido exclusivamente por estar fardado. A investigação revelou ainda que Esan tinha feito várias tentativas falhadas de ingressar no Exército britânico, tendo sido rejeitado em 2021 devido a um “distúrbio psicótico” e problemas dermatológicos. Nascido na Nigéria, mudou-se para o Reino Unido em 2009 e já tinha relatado às autoridades de saúde mental que ouvia vozes antes do ataque.

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