Proibição da Palestine Action anulada e Met Police suspende detenções

O Tribunal Superior de Inglaterra e País de Gales considerou ilegal a decisão do Governo britânico de classificar a Palestine Action como organização terrorista. A decisão judicial levou a Metropolitan Police Service a anunciar que deixará de deter, no imediato, manifestantes pacíficos que expressem apoio ao grupo durante protestos.

Um policial observa manifestantes do grupo Ação Palestina reunidos em frente ao Supremo Tribunal
Proibição da Palestine Action anulada e Met Police suspende detenções © PA Wire

A cofundadora do movimento, Huda Ammori, venceu a contestação judicial apresentada contra a proibição imposta pelo Governo. Na leitura do acórdão, a juíza Victoria Sharp afirmou que a decisão de proscrever a organização resultou numa “interferência significativa” com o direito à liberdade de expressão e de reunião.

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Ainda assim, o tribunal determinou que a proibição se mantém em vigor temporariamente, para permitir novos argumentos legais e dar tempo ao Executivo para apresentar recurso.

Polícia altera estratégia enquanto Governo prepara recurso

Apesar da decisão, continua a ser crime ser membro ou apoiar a Palestine Action, uma vez que o Home Office confirmou que irá recorrer para o Tribunal de Recurso de Inglaterra e País de Gales.

Num comunicado, a Met Police reconheceu a “natureza invulgar” da situação e admitiu que poderá gerar confusão pública. As autoridades indicaram que os agentes irão continuar a identificar eventuais infrações relacionadas com o apoio à organização, mas optarão por recolher provas para eventuais ações futuras, em vez de procederem a detenções no local.

A polícia sublinhou que esta abordagem se aplica exclusivamente à expressão de apoio à Palestine Action, mantendo-se a intervenção imediata em casos de intimidação, vandalismo, violência, incitamento ao ódio racial ou outros crimes.

Proibição, detenções e contestação judicial

A Palestine Action foi classificada como organização terrorista em julho, após uma série de ações diretas contra empresas de defesa com ligações a Israel no Reino Unido, incluindo bloqueios de acessos e danos materiais em edifícios.

A decisão governamental tornou crime a filiação ou o apoio ao grupo, punível com penas até 14 anos de prisão. Desde então, foram detidas milhares de pessoas em manifestações relacionadas com o movimento.

Huda Ammori avançou com um processo judicial contra a decisão tomada ao abrigo do Terrorism Act 2000, inicialmente sob responsabilidade da então ministra do Interior, Yvette Cooper.

Durante a audiência, o advogado Raza Husain argumentou que a proibição contrariava tradições fundamentais do direito comum britânico e a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, referindo que mais de duas mil pessoas foram detidas, incluindo religiosos, professores, pensionistas, antigos oficiais do Exército britânico e até uma antiga magistrada de 81 anos.

Tribunal reconhece atos ilegais, mas considera medida desproporcionada

No acórdão de 46 páginas, a juíza Victoria Sharp, acompanhada pelos juízes Jonathan Swift e Susan Steyn, reconheceu que a organização promove a sua causa política através de atos ilegais, alguns dos quais se enquadram na definição de terrorismo.

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Contudo, o tribunal concluiu que a escala, persistência e natureza dessas ações ainda não justificavam a classificação formal como organização terrorista, considerando a decisão governamental desproporcionada.

O tribunal indicou que pretende anular formalmente a decisão do Governo, embora essa anulação esteja suspensa enquanto decorrem novos trâmites legais.

Entretanto, a atual ministra do Interior, Shabana Mahmood, afirmou que o Governo irá contestar a decisão no Tribunal de Recurso, sublinhando que o apoio à causa palestiniana não deve ser confundido com o apoio à Palestine Action.

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