Maquinista pediu paragem de comboios antes de colisão

O maquinista do comboio Iryo, atingido por um comboio Alvia perto de Adamuz, em Córdova, no domingo, contactou a central de controlo ferroviário de Atocha às 19h45 locais, alertando para o descarrilamento do seu veículo. Numa segunda chamada, solicitou com urgência a interrupção do tráfego na área, depois de perceber que várias carruagens haviam invadido a linha férrea em sentido oposto, aumentando o risco de colisão.

O maquinista do comboio Iryo
Maquinista pediu paragem de comboios antes de colisão © Jorge Zapata/EPA

As transcrições das chamadas, publicadas pelo El Diario e pelo El País, revelam que o maquinista desconhecia inicialmente o envolvimento de outro comboio. Ao perceber que os vagões traseiros tinham avançado para a pista contrária, pediu a paralisação imediata de todos os comboios na área. “Preciso que parem o tráfego nos trilhos com urgência, por favor”, afirmou na gravação registada pela “caixa negra”, sistema que regista os dados da viagem.

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Na primeira comunicação, o condutor descreveu de forma calma que o comboio estava parado próximo de Córdova, sem saber ainda que três carruagens tinham descarrilado nem que havia vítimas entre os passageiros. Seguindo os protocolos de segurança, pediu autorização para sair da cabine e avaliar a situação diretamente nos trilhos.

Pedido urgente de serviços de emergência e perceção do desastre

Na segunda chamada, já com a consciência do descarrilamento, o maquinista alertou a central sobre a gravidade da situação, solicitando a presença imediata de serviços de emergência, bombeiros e ambulâncias. Reportou ainda ter visto um incêndio num dos vagões e passageiros feridos, reforçando o pedido para interromper o tráfego de forma urgente.

Apesar das instruções da central de que não havia comboios na direção oposta, o comboio Alvia, que seguia de Madrid para Huelva, colidiu segundos depois com os vagões traseiros do Iryo, provocando o descarrilamento de várias carruagens e o seu tombamento para um aterro. Este acidente resultou na morte de pelo menos 42 pessoas e deixou dezenas de feridos, sendo um dos mais graves registados na rede ferroviária espanhola nos últimos anos.

Contexto do transporte ferroviário e condições meteorológicas extremas

O acidente de Adamuz acontece num período crítico para a rede ferroviária espanhola. Apenas dois dias antes, na Catalunha, outro comboio da rede Rodalies colidiu com um muro de contenção que havia caído sobre os carris devido a fortes chuvas e tempestades. Nesse incidente, um maquinista perdeu a vida e 37 passageiros ficaram feridos, cinco deles em estado grave.

Segundo as autoridades, o maquinista de Adamuz seguia o trajeto Málaga-Madrid no comboio Iryo Frecciarossa número 6189. Ele e outros quatro colegas estavam na cabine quando ocorreram os primeiros sinais de perigo. O jovem condutor e a sua equipa estavam a finalizar a fase de treino e supervisão, sublinhando a pressão e complexidade da operação.

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As condições meteorológicas extremas que afetaram a Catalunha e a Andaluzia nos últimos dias, incluindo chuvas intensas, tempestades e erosão do solo, têm sido apontadas como fatores que contribuíram para os acidentes, aumentando o risco de quedas de estruturas e descarrilamentos.

Investigação em curso e reforço da segurança

As autoridades espanholas mantêm a investigação sobre o acidente de Adamuz em curso, analisando as comunicações do maquinista, imagens de videovigilância, dados da “caixa negra” e relatos de passageiros. A prioridade é determinar as causas exatas do descarrilamento, avaliar a conduta do tráfego ferroviário e identificar medidas que possam prevenir novos incidentes.

A tragédia reacendeu o debate sobre a segurança ferroviária em Espanha e sobre a necessidade de reforço das infraestruturas e protocolos em situações de emergência, sobretudo em períodos de condições meteorológicas extremas. Os operadores ferroviários sublinham a importância de sistemas de alerta rápido e de comunicações eficazes entre maquinistas e centrais de controlo, para reduzir riscos e minimizar vítimas em acidentes futuros.

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