O Conselho da Cidade de Glasgow aprovou a criação de um mural de grande dimensão parcialmente gerado por inteligência artificial, que será pintado numa parede de quatro andares localizada na 11 Elmbank Street, no centro da cidade, durante o verão. O projeto inclui elementos icónicos e simbólicos da Escócia, como águias-americanas, vacas Highland, edifícios inspirados no Monumento a Wallace e uma locomotiva a vapor. A iniciativa pretende celebrar a herança cultural escocesa, enquanto reflete a integração harmoniosa entre tecnologia e natureza, destacando o compromisso do país com a sustentabilidade energética e a preservação ambiental.

A aprovação do mural gerou grande polémica, tanto entre residentes como nas redes sociais. Muitos criticaram a representação das águias e das vacas, apontando que algumas figuras apresentam traços humanos ou distorcidos, com expressões faciais desfiguradas ou olhos ausentes. Utilizadores descrevem a obra como “AI slop” (desleixo de IA), questionando a decisão do Conselho de Glasgow ao aprovar um mural gerado artificialmente, quando a cidade possui alguns dos melhores artistas de street art do mundo, capazes de criar obras mais esteticamente apelativas e culturalmente relevantes.
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Paul Sweeney, deputado de Glasgow, manifestou preocupação com a escolha, defendendo que artistas locais poderiam produzir uma obra de qualidade superior por um custo reduzido, reforçando a identidade cultural da cidade. Por seu lado, o proponente do mural, Derek Paterson, da Balmore Estates Limited, explicou que a imagem gerada por IA não representa o design final e que um artista profissional será responsável pela versão definitiva, garantindo que a obra seja positiva e representativa da Escócia.
Garantias de criação artística final e adaptação do design
Paterson explicou que o design preliminar apresentado estava “sobrecarregado” e que alguns elementos serão removidos ou ajustados para tornar o mural mais harmonioso e visualmente equilibrado. A versão final pretende integrar símbolos da história escocesa, elementos naturais e tecnológicos, e destacar a importância da sustentabilidade energética. Segundo Paterson, o objetivo é criar uma obra que transmita uma mensagem positiva, culturalmente enriquecedora e que sirva de ponto de referência para Glasgow, sem perder a identidade local.

O proponente apelou à população para focar-se nos aspectos positivos do projeto e não nas críticas iniciais. “É impossível agradar a todos, mas o mais importante é que a obra seja culturalmente representativa e beneficie a cidade de Glasgow”, afirmou. O Conselho da Cidade confirmou que um artista de renome será responsável pelo design final, garantindo que o mural se torne uma peça de arte pública de qualidade, inovadora e integrada ao espaço urbano.
Debate sobre IA e arte urbana em espaço público
O mural também reacendeu o debate sobre o uso da inteligência artificial na criação artística, especialmente em espaços públicos. Especialistas e críticos de arte discutem os limites da IA na produção de obras culturais e questionam se a tecnologia pode substituir o toque humano na expressão artística. Apesar das críticas, o projeto pretende mostrar que é possível combinar arte, tecnologia e história de forma criativa, promovendo inovação e diálogo cultural na cidade.
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O mural deverá estar concluído durante o verão e promete tornar-se um marco visual e cultural em Glasgow, atraindo a atenção de residentes, turistas e críticos de arte. A obra pretende ainda servir como ponto de partida para discussões sobre a interação entre tradição e modernidade, inovação tecnológica e preservação da identidade cultural escocesa, consolidando Glasgow como uma cidade que aposta em projetos culturais arrojados e inovadores.
O projeto reforça a aposta da cidade em iniciativas culturais de grande escala, valorizando o espaço urbano, promovendo a criatividade e integrando tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, em obras de arte pública, ao mesmo tempo que celebra a história, a natureza e a modernidade da Escócia.

