Ex-prisioneira iraniana mantém greve de fome em Londres

A ex-prisioneira política iraniana Nasrin Roshan, de 62 anos, iniciou uma greve de fome em frente à embaixada dos Estados Unidos, em Vauxhall, Londres, exigindo que o Presidente norte-americano, Donald Trump, execute ações militares contra o regime iraniano. A ativista permanece no local há cinco dias, recusando alimentação, enquanto denuncia a repressão violenta que resultou na morte de milhares de manifestantes nas ruas do Irão desde dezembro de 2025.

A ex-prisioneira política iraniana Nasrin Roshan
Ex-prisioneira iraniana mantém greve de fome em Londres © Supplied

Roshan afirmou sentir-se fisicamente exausta, com os lábios ressequidos e grande falta de energia, mas garantiu que não irá abandonar o protesto até que haja intervenção: “Trump disse que ajudaria se o regime islâmico matasse pessoas, agora diz o contrário. Por que está a brincar com o povo iraniano? Eles estão a ser mortos nas ruas. Por favor, atuem agora”, apelou.

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A ativista iniciou o protesto após observar que os protestos anti-regime continuavam a ser violentamente reprimidos pelas autoridades iranianas, com relatos de execuções extrajudiciais e prisões arbitrárias. Observadores de direitos humanos da Human Rights Activists News Agency confirmaram mais de 4.500 mortes durante os protestos e investigam mais 9.000 casos de vítimas, incluindo desaparecimentos forçados e feridos graves.

Roshan explicou que está a dormir ocasionalmente num carro próximo à embaixada, mantendo-se hidratada com água. No entanto, anunciou que, caso não haja resposta em dez dias, iniciará uma greve de fome “seca”, sem ingestão de líquidos, aumentando os riscos à sua saúde e elevando o nível de urgência da manifestação.

Histórico de prisão e repressão no Irão

Nasrin Roshan passou um total de cinco anos e meio em prisões iranianas, tendo sido detida pela primeira vez aos 18 anos. Durante os anos de encarceramento, a ativista descreveu experiências de “tortura mental”, incluindo a imposição de medicamentos fornecidos pelas autoridades, nos quais não podia confiar, e a recusa de tratamento médico próprio.

Em novembro de 2023, Roshan foi novamente detida no aeroporto Imam Khomeini, em Teerão, após visitar familiares, e condenada a quatro anos de prisão por “assembleia e conspiração”. Foi libertada após um ano e meio. Em todas as ocasiões, a ativista denunciou a violência psicológica e física aplicada a prisioneiros políticos, incluindo agressões durante protestos no país.

Pressão internacional e contexto militar

O protesto de Roshan ocorre num momento de elevada tensão geopolítica. Donald Trump tem apelado publicamente ao fim do regime de 40 anos liderado pelo Aiatolá Ali Khamenei, afirmando que o líder iraniano “é um homem doente que deve governar corretamente o país e parar de matar pessoas”. O Presidente norte-americano também insinuou a possibilidade de buscar uma nova liderança no Irão, pressionando o regime a mudanças políticas significativas.

O protesto de Roshan ocorre num momento de elevada tensão
Pressão internacional e contexto militar © Supplied

A ameaça de ação militar dos EUA permanece concreta, com movimentação de ativos militares para o Médio Oriente. O porta-aviões USS Abraham Lincoln, que recentemente esteve no Mar do Sul da China, atravessou uma rota estratégica ligando o Mar do Sul da China ao Oceano Índico, acompanhado por três destróieres, em direção à região do Golfo Pérsico.

Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano emitiu a advertência mais agressiva até agora contra qualquer ação militar americana, afirmando que as Forças Armadas do Irão “não terão qualquer hesitação em responder com tudo o que têm” caso haja novo ataque. O diplomata alertou que um confronto total seria “feroz” e prolongado, com impactos significativos na região e sobre civis em todo o mundo.

Este cenário ocorre seis meses após um conflito de 12 dias entre Israel e Irão, no qual os EUA intervieram para atingir instalações nucleares iranianas. O contexto mostra que a situação política e militar no Médio Oriente permanece altamente volátil, aumentando a pressão sobre líderes internacionais e organizações de direitos humanos.

Repercussões e alertas de saúde

A greve de fome de Nasrin Roshan, além de simbolizar a luta contra a repressão no Irão, está a chamar atenção global para a situação dos manifestantes no país. Organizações de direitos humanos têm destacado a necessidade de proteger ativistas e garantir que protestos pacíficos sejam respeitados.

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Especialistas em saúde alertam que a prolongada ausência de alimentação e líquidos pode levar a falhas orgânicas graves, desidratação severa e risco de morte, especialmente numa greve de fome de alto impacto como a anunciada pela ativista. Roshan afirmou, porém, que continuará até que os líderes globais intervenham ou que a atenção internacional sobre o Irão aumente de forma significativa.

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