Moçambique em alerta com depressão tropical e cheias

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) de Moçambique emitiu hoje um aviso amarelo devido à aproximação de uma depressão tropical no Canal de Moçambique, que deverá intensificar a chuva e os ventos fortes no sul do país. O fenómeno meteorológico coincide com uma fase crítica de cheias generalizadas, deixando milhares de pessoas isoladas e comprometendo infraestruturas essenciais.

O Instituto Nacional de Meteorologia
Moçambique em alerta com depressão tropical e cheias © AFP

Segundo o Inam, os ventos podem atingir rajadas de até 70 quilómetros por hora, com ondas de até quatro metros, afectando particularmente as províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. O aviso é válido até ao final do dia, e as autoridades alertam para o risco de inundação em áreas costeiras e terrestres, bem como para a agitação do mar, que pode prejudicar embarcações e pescadores locais.

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Balanço das cheias: mortos, feridos e deslocados

O impacto das cheias em Moçambique é já dramático. De acordo com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), o total de mortos subiu para 114 pessoas, com seis desaparecidos, 99 feridos e quase 680 mil afetados. Entre 1 de outubro e 19 de janeiro, as cheias afetaram 677.831 pessoas, correspondentes a 141.818 famílias, com 11.367 casas parcialmente destruídas e 4.910 totalmente arrasadas.

Atualmente, 72 dos 83 centros de acolhimento continuam ativos, recebendo 88.525 pessoas, incluindo 58.616 deslocadas das suas áreas. Entre os danos materiais registados, destacam-se 56 unidades sanitárias, 44 casas de culto, 318 escolas, sete pontes, 27 aquedutos, 2.515 quilómetros de estradas e 193 postes de eletricidade destruídos ou danificados.

O setor agrícola sofreu perdas significativas, com 165.841 hectares de área agrícola afetada, dos quais 75.769 hectares perdidos, impactando 112.570 agricultores. O rebanho também foi severamente afetado, com 61.627 cabeças de gado mortas, incluindo bovinos, caprinos e aves.

Infraestruturas e transporte paralisados

As autoridades moçambicanas estimam que 40% da província de Gaza está submersa, enquanto vários distritos de Maputo permanecem inundados. Pelo menos 152 quilómetros de estradas nacionais foram totalmente destruídos, isolando comunidades e dificultando a chegada de ajuda humanitária.

As estradas Nacional 1 (N1), para norte, e Nacional 2 (N2), para sul, permanecem intransitáveis, impossibilitando a circulação de veículos e o transporte de alimentos, medicamentos e materiais de emergência. As linhas de comunicação elétrica e de telecomunicações também foram comprometidas, com dezenas de postes de eletricidade tombados e serviços interrompidos em áreas afetadas.

Operações de resgate e coordenação governamental

Em resposta à crise, o Governo montou na segunda-feira um centro de coordenação nacional, liderado pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, no aeroporto de Xai-Xai, província de Gaza. As autoridades coordenam operações de resgate e assistência, utilizando meios aéreos e terrestres para alcançar famílias sitiadas, algumas das quais refugiadas em telhados de casas.

A resposta às cheias conta com cerca de uma dezena de aeronaves em operação, incluindo helicópteros e aviões de apoio logístico, para transporte de alimentos, medicamentos, colchões e água potável. Equipas de bombeiros, defesa civil e voluntários continuam a avaliar locais de risco e a evacuar moradores de áreas inundáveis.

Contexto climático e desafios contínuos

O período atual de chuvas intensas em Moçambique começou em outubro de 2025 e tem registado precipitação quase contínua em várias províncias do sul do país. As condições meteorológicas adversas, associadas à aproximação da depressão tropical, agravam o risco de derrames de barragens, deslizamentos de terra e inundações fluviais, colocando em alerta redobrado as autoridades de emergência.

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Especialistas em gestão de desastres alertam que a situação exige planeamento estratégico, comunicação eficaz e coordenação entre instituições, de modo a reduzir perdas humanas e materiais. O Governo continua a apelar à população para respeitar orientações de evacuação, manter a calma e não se expor a zonas de risco.

Impacto social e humanitário

O efeito das cheias vai além da destruição material: milhares de famílias estão deslocadas, sem acesso a água potável, alimentos e cuidados médicos. A crise humanitária exige mobilização nacional e internacional para apoiar os centros de acolhimento e fornecer recursos básicos às comunidades afetadas.

O balanço das cheias em Moçambique evidencia a vulnerabilidade das infraestruturas, das populações costeiras e agrícolas e sublinha a necessidade de estratégias de prevenção mais eficazes, reforço de barragens, melhor gestão das águas e investimentos em sistemas de alerta rápido.

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