O diretor-geral da World Health Organization, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou esta terça-feira para a possibilidade de surgirem novos casos de hantavírus nas próximas semanas, na sequência do surto registado a bordo do navio de expedição MV Hondius, que provocou pelo menos três mortes e vários infetados.

Apesar da gravidade da situação, o responsável máximo da OMS garantiu que, até ao momento, não existem indícios de que o vírus possa originar uma pandemia global. Ainda assim, sublinhou que o cenário continua sob vigilância devido ao longo período de incubação associado ao hantavírus.
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Durante uma conferência de imprensa realizada em Madrid, Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou que o organismo internacional continua a acompanhar o caso “com grande seriedade”, reconhecendo que poderão surgir novos diagnósticos nos próximos dias ou semanas.
“Não há sinais de pandemia neste momento, mas a situação pode mudar. Dado o longo período de incubação do vírus, é possível que venhamos a registar mais casos nas próximas semanas”, declarou.
Surto no MV Hondius deixou mortos e dezenas de pessoas evacuadas
O foco de infeção foi identificado no MV Hondius, embarcação operada pela empresa Oceanwide Expeditions, que navegava no Oceano Atlântico após ter partido da Argentina.
Ao longo de quase seis semanas de viagem, passageiros e tripulantes enfrentaram um cenário de crescente preocupação sanitária depois de vários ocupantes começarem a apresentar sintomas compatíveis com hantavírus.
Segundo a operadora do cruzeiro, pelo menos 85 passageiros e 35 membros da tripulação foram evacuados da embarcação. Além das três vítimas mortais já confirmadas, outras oito pessoas adoeceram ou testaram positivo para o vírus.
Entre os casos identificados estão um cidadão norte-americano e uma mulher francesa de 65 anos, ambos diagnosticados após terem deixado o navio.
Os passageiros foram posteriormente transportados a partir de Tenerife, nas Ilhas Canárias, para os respetivos países de origem entre domingo e segunda-feira.
OMS destaca impacto psicológico vivido pelos passageiros
Durante a conferência, Tedros Adhanom Ghebreyesus destacou também o impacto emocional vivido pelos ocupantes do navio ao longo do período de isolamento.
Segundo o responsável, vários passageiros enfrentaram momentos de grande ansiedade e desgaste psicológico devido ao medo da doença e à incerteza sobre a evolução do surto.
“Alguns passageiros estavam à beira de colapsos nervosos”, afirmou, acrescentando que todas as pessoas afetadas devem ser tratadas “com dignidade e compaixão”.
Tedros revelou ainda que existiram pedidos, em diferentes partes do mundo, para que os passageiros permanecessem confinados a bordo do navio durante todo o período de quarentena. Contudo, a OMS considerou que essa medida seria desumana e desnecessária.
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Tenerife recebeu passageiros apesar de preocupações locais
A chegada do navio e o desembarque dos passageiros em Tenerife geraram preocupação entre os habitantes da ilha espanhola, sobretudo devido ao receio de transmissão do vírus à população local.
Ainda assim, a OMS insistiu que o risco de propagação foi considerado baixo tanto para os residentes das Ilhas Canárias como para o resto do mundo.
Tedros Adhanom Ghebreyesus elogiou ainda a atuação das autoridades espanholas, destacando a “compaixão e solidariedade” demonstradas durante a operação de acolhimento e repatriamento dos passageiros.
Segundo o responsável, os esforços das autoridades internacionais concentraram-se em manter o risco de transmissão sob controlo e garantir que os protocolos sanitários fossem cumpridos de forma rigorosa.
Passageiros deverão cumprir quarentena prolongada
A Organização Mundial da Saúde recomendou que todos os passageiros e tripulantes envolvidos no surto cumpram um período de quarentena de, pelo menos, 42 dias, devido ao comportamento clínico do hantavírus e ao seu tempo de incubação.
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Entretanto, o navio MV Hondius deverá permanecer ancorado em Roterdão, onde será submetido a uma operação completa de desinfeção antes de voltar à atividade.
As autoridades de saúde internacionais continuam agora a monitorizar eventuais novos casos associados ao cruzeiro, enquanto os países de origem dos passageiros acompanham o estado clínico das pessoas evacuadas.

