Irão nega ataque após várias explosões

As autoridades iranianas negaram esta semana que dirigentes militares tenham sido alvo de ataques, depois de várias explosões registadas em diferentes regiões do país terem provocado pelo menos quatro mortos e dezenas de feridos. Um dos incidentes mais graves ocorreu num edifício residencial em Ahvaz, capital da província de Khuzestan, no sudoeste do Irão.

capital da província de Khuzestan
Irão nega ataque após várias explosões © X/@pltreport

De acordo com informações divulgadas pelos meios de comunicação estatais, a explosão destruiu parcialmente um prédio habitacional, causando a morte de pelo menos uma pessoa. Em Bandar Abbas, importante cidade portuária situada no estratégico Estreito de Ormuz, uma outra explosão provocou um morto e 14 feridos, segundo dados preliminares das autoridades locais.

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Imagens transmitidas pela televisão estatal mostram dois andares de um edifício completamente destruídos, com viaturas danificadas e várias lojas afetadas pelos destroços. Apesar de relatos iniciais sugerirem que um comandante naval da Guarda Revolucionária Islâmica poderia ter sido o alvo, as autoridades classificaram essas informações como “completamente falsas”, atribuindo o incidente a uma fuga de gás.

Relatos de novas explosões aumentam clima de incerteza

Além de Ahvaz e Bandar Abbas, surgiram também relatos não confirmados de uma terceira explosão na cidade de Parand, localizada nas proximidades do aeroporto internacional Imam Khomeini, nos arredores de Teerão. Até ao momento, não foram divulgados números oficiais sobre vítimas nesse local.

As autoridades iranianas apelaram à cautela na divulgação de informações, sublinhando que várias investigações estão em curso para apurar as causas exatas dos incidentes. Equipas de emergência e segurança foram mobilizadas para as zonas afetadas, enquanto residentes relataram momentos de pânico e evacuações preventivas.

Explosões ocorrem num contexto de forte tensão entre Irão e Estados Unidos

Os acontecimentos surgem num momento particularmente delicado para o Irão, marcado por um agravamento das tensões com os Estados Unidos. O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem reiterado ameaças de recurso à força militar contra o regime liderado pelo aiatola Ali Khamenei, num discurso cada vez mais agressivo face à situação interna iraniana.

Após os protestos antigovernamentais registados em dezembro, Trump afirmou publicamente que apoio externo estava “a caminho” e sugeriu ter enviado uma “armada maciça” com o objetivo de pressionar Teerão. Segundo dados oficiais iranianos, os confrontos causaram cerca de 5.000 mortos, incluindo mais de 500 membros das forças de segurança.

Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos contestam estes números e alertam que milhares de manifestantes continuam desaparecidos ou detidos, num contexto de forte repressão e de crise económica prolongada.

Conflito regional e acusações mútuas agravam instabilidade

A instabilidade intensificou-se após os Estados Unidos terem atacado instalações nucleares iranianas com bombas de penetração profunda, durante um conflito de 12 dias entre o Irão e Israel. Desde então, Washington e Teerão têm trocado acusações, enquanto analistas alertam para o risco de um confronto direto mais alargado na região.

Fontes norte-americanas indicaram que Donald Trump esteve recentemente a avaliar diferentes opções militares, incluindo ataques direcionados a infraestruturas estratégicas iranianas. Israel, por sua vez, rejeitou qualquer envolvimento nas explosões registadas nos últimos dias, enquanto o Pentágono ainda não emitiu uma posição oficial.

Governo iraniano acusa Ocidente de interferência interna

Entretanto, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos e vários países europeus de fornecerem condições para “destruir a unidade nacional” e de explorarem a fragilidade económica do Irão. Segundo Pezeshkian, as sanções internacionais e a pressão diplomática têm agravado o descontentamento social e alimentado a instabilidade.

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As imagens mais recentes de Bandar Abbas mostram ruas cobertas de escombros e equipas de socorro a remover destroços. A cidade ainda recorda uma explosão ocorrida em abril do ano passado, que causou dezenas de mortos e cerca de mil feridos. Uma investigação oficial concluiu então que o incidente se deveu a falhas graves nos protocolos de segurança e de proteção civil.

As autoridades iranianas garantem que irão divulgar novos esclarecimentos à medida que as investigações avancem, numa altura em que o país enfrenta um dos períodos mais tensos dos últimos anos, tanto a nível interno como nas relações internacionais.

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