Documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que Sarah Ferguson, ex-mulher do príncipe Andrew, terá enviado a Jeffrey Epstein mensagens de teor pessoal pouco tempo depois de ele ter sido libertado da prisão, em 2009. Numa das comunicações agora conhecidas, Ferguson escreve: “És uma lenda. Realmente não tenho palavras para descrever o meu amor e gratidão pela tua generosidade e bondade. Estou ao teu serviço. Casa comigo”.

Estas revelações fazem parte de um vasto conjunto de ficheiros divulgados ao abrigo da Lei da Transparência, relacionados com o processo judicial e as atividades de Epstein. O financista morreu em agosto de 2019 numa cela de uma prisão federal em Manhattan, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores.
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Segundo os documentos, Sarah Ferguson terá visitado Epstein em Miami no mesmo ano, acompanhada pelas duas filhas, então com 21 e 19 anos. Noutra mensagem de correio electrónico datada de 2009, a duquesa descreve o financista como “o irmão que sempre desejei” e afirma sentir-se “orgulhosa” dele. Estes conteúdos lançam luz sobre uma relação próxima, embora controversa, entre Ferguson e Epstein, gerando novas interrogações sobre os contactos entre figuras públicas e o financista.
Os representantes de Sarah Ferguson foram contactados para comentar o conteúdo das mensagens, mas não responderam até ao momento.
Novos ficheiros comprometem imagem do príncipe Andrew
A divulgação dos documentos trouxe ainda novas evidências relacionadas com o príncipe Andrew, ex-marido de Sarah Ferguson. Entre o material tornados públicos encontram-se fotografias em que surge um homem identificado como o antigo duque de Iorque numa posição comprometedora junto a uma mulher deitada no chão. As imagens, sem legendas, mostram o homem inclinado sobre a mulher e, numa delas, com a mão pousada sobre o seu abdómen. Outros elementos no cenário, como uma cadeira com padrão de leopardo, aparecem ao fundo, mas não é possível determinar a data, o local ou quem captou as fotografias.
Noutros registos incluídos no mesmo conjunto de documentos, surgem trocas de mensagens entre Andrew e Epstein, nas quais é mencionada uma mulher russa descrita como “bonita” e um convite para visitar o Palácio de Buckingham. Apesar de Andrew ter afirmado anteriormente que cortou laços com Epstein após o início das investigações em 2006, uma troca de mensagens de agosto de 2010 sugere que o contacto entre os dois continuava ativo, após a condenação de Epstein por solicitação de prostituição de uma menor.
Implicações legais e impacto na reputação da família real
O príncipe Andrew enfrenta acusações graves, que nega veementemente, relacionadas com alegados abusos sexuais de Virginia Giuffre, quando esta era menor e traficada por Epstein. Em 2019, Andrew afastou-se das funções públicas após uma entrevista polémica à BBC, considerada desastrosa para a sua imagem.

A recente publicação das memórias póstumas de Giuffre, aliada à divulgação de novos documentos provenientes do espólio de Epstein, intensificou o escrutínio público e mediático sobre o antigo duque. Em consequência, o rei decidiu retirar oficialmente ao irmão o tratamento de Sua Alteza Real e o título de príncipe, em 2022, sinalizando uma medida histórica de responsabilização dentro da família real britânica.
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O impacto destas revelações vai além da esfera privada: põe em causa a perceção pública da integridade da monarquia e evidencia a influência persistente de figuras polémicas como Epstein sobre indivíduos de alto perfil. Analistas e comentadores têm destacado que os documentos divulgados podem abrir caminho a novas investigações e reavaliações jurídicas, tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido.

