Uma pergunta simples feita por uma criança acabou por inspirar uma mudança simbólica no mundo empresarial. Ao observar o logótipo de várias empresas com a expressão “& Sons”, a filha da consultora de tecnologia Sharan Rugge quis saber por que motivo quase não existiam negócios com a designação “& Daughters”.

O questionamento levou a empresária a criar a empresa “Sharan & Daughters”, fundada em janeiro deste ano em Northampton, no Reino Unido. O objetivo vai além do negócio: demonstrar às suas duas filhas, de seis e oito anos, que também podem tornar-se empresárias no futuro.
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Dados recentes da Companies House, analisados pela plataforma financeira SumUp, indicam que a tendência está a crescer. Nos últimos cinco anos, o número de empresas com “& Daughter” no nome aumentou 59%, passando de 601 para 957 organizações. No mesmo período, os negócios com a designação “& Sons” cresceram 52%.
Apesar do aumento, a presença feminina na nomenclatura empresarial ainda é minoritária. Embora as mulheres representem cerca de 48% da força de trabalho, apenas 12,5% das empresas que utilizam o modelo “&…” mencionam filhas, enquanto 87,5% continuam a referir filhos.
Um relatório de 2022 da Family Business Research Foundation também aponta que pequenas e médias empresas familiares têm maior probabilidade de contar com liderança feminina do que empresas não familiares, o que ajuda a explicar esta mudança gradual.
Histórias de empresárias que escolheram destacar as filhas no nome do negócio
Entre as empresárias que desafiaram a tradição está Inez Capps, diretora-geral e cofundadora da empresa funerária Kinton & Daughter Funeral Services Ltd, situada na região de East Midlands.
A empresa foi criada quando Inez tinha apenas 19 anos, juntamente com os pais. O pai já trabalhava no setor funerário, fornecendo veículos para funerárias, quando a família decidiu criar o próprio negócio.
Inicialmente, a jovem sentiu alguma apreensão, pois nunca tinha tido contacto com pessoas falecidas. No entanto, a forma cuidadosa e respeitosa como o pai tratava as famílias enlutadas acabou por inspirá-la a seguir carreira no setor.
A escolha do nome foi imediata. Segundo Inez, a família quis destacar algo pouco comum na área. Na época, há cerca de 14 anos, a presença feminina nas profissões funerárias era ainda mais rara do que atualmente.
Apesar disso, a empresária enfrentou críticas no início da carreira. Alguns colegas do setor afirmaram que ela não possuía a “estatura” ou a “dominância” associadas a profissionais masculinos. Ainda assim, Inez afirma ter ultrapassado esses obstáculos com determinação e orgulho pelo negócio familiar.
Empoderamento feminino inspira nova geração de empresárias
Para Sharan Rugge, a criação da empresa Sharan & Daughters também tem um forte significado educativo. As filhas participaram desde o início do processo, ajudando na criação da marca e acompanhando a mãe em tarefas empresariais, como visitas ao banco.
A empresária acredita que a experiência é uma forma de mostrar às crianças que não existem limites para as mulheres no mundo dos negócios.
A motivação tem também raízes pessoais. Sharan cresceu numa família com oito irmãs e afirma que muitas vezes as suas capacidades foram ignoradas pelo pai, que desejava ter um filho homem.
Por esse motivo, decidiu usar o próprio nome na empresa, em vez do apelido familiar, reforçando a ideia de independência e igualdade.
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Para Inez Capps, o aumento de empresas com “& Daughter” representa uma evolução natural da sociedade. Durante gerações, muitos negócios familiares eram transmitidos de pai para filho, numa época em que as mulheres raramente trabalhavam fora de casa.
Hoje, com a crescente presença feminina na liderança empresarial, a empresária acredita que mais parcerias entre pais e filhas poderão surgir, refletindo uma nova realidade no empreendedorismo.

