Jovem de 20 anos morre após consumo excessivo de “gás hilariante”, alertam autoridades

Uma jovem de 20 anos morreu após desenvolver uma dependência de óxido nitroso, conhecido como “gás hilariante”, num caso que levou as autoridades a alertarem para os riscos do consumo recreativo desta substância. O caso foi analisado durante uma audiência judicial no Bolton Coroners’ Court, onde um médico legista classificou a situação como semelhante a uma “roleta russa química”.

Uma jovem de 20 anos morreu
Jovem de 20 anos morre após consumo excessivo de “gás hilariante”, alertam autoridades © MEN Media

A vítima, Amy Louise Leonard, estava a iniciar uma carreira promissora como maquilhadora profissional. Familiares e amigos recordaram-na como uma jovem “alegre e sociável”, frequentemente descrita como o “centro da festa”.

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No entanto, uma investigação posterior revelou que a jovem passou a depender do óxido nitroso para lidar com episódios de ansiedade e estados de humor mais baixos.

Consumo diário de óxido nitroso agravou estado de saúde

Durante a investigação, foi revelado que, nas semanas anteriores à sua morte, Amy Louise Leonard consumia diariamente um grande cilindro de óxido nitroso.

A substância é legalmente utilizada em várias áreas, incluindo na indústria alimentar e em contextos médicos, como analgésico durante o trabalho de parto. Contudo, quando usada de forma recreativa — geralmente inalando o gás através de balões — é classificada como droga de classe C no Reino Unido.

De acordo com o tribunal, a jovem procurou assistência hospitalar a 20 de setembro após cerca de dez dias com fortes dores lombares. Apresentava também dormência na parte inferior do corpo, formigueiro e episódios de incontinência urinária.

Inicialmente, os médicos suspeitaram de síndrome da cauda equina, uma emergência médica provocada pela compressão severa dos nervos na parte inferior da coluna vertebral. No entanto, exames posteriores indicaram que sofria de degeneração combinada subaguda da medula espinal.

Deficiência de vitamina B12 levou a doença neurológica

A doença diagnosticada é uma perturbação neurológica progressiva associada à deficiência de vitamina B12. No caso de Amy Louise Leonard, a utilização prolongada e excessiva de óxido nitroso provocou uma deficiência funcional dessa vitamina essencial.

Segundo o inspetor da Greater Manchester Police, Stuart Woodhead, o consumo intenso da substância ao longo do tempo contribuiu diretamente para o agravamento do quadro clínico.

Nos dias seguintes à hospitalização, o estado da jovem deteriorou-se rapidamente. A sua mobilidade diminuiu de forma significativa até que, dez dias depois, sofreu dois episódios de paragem cardíaca súbita.

Embora os médicos tenham conseguido reanimá-la em ambas as ocasiões, a falta de oxigenação causou graves danos cerebrais. Amy Louise Leonard acabou por morrer a 2 de outubro.

Médico legista compara consumo a “roleta russa química”

Durante a audiência, o neuropatologista consultor Neil Papworth explicou que mortes associadas ao consumo de óxido nitroso são consideradas raras.

Segundo o especialista, apesar de o uso recreativo da substância ser relativamente comum, a maioria dos utilizadores não sofre consequências fatais. Ainda assim, sublinhou que casos como este demonstram os riscos associados ao consumo prolongado e descontrolado.

Ao encerrar a audiência, o médico legista principal Timothy Brennand alertou que o uso indevido da substância é comparável a “jogar roleta russa química”.

A morte foi oficialmente classificada como “misadventure”, termo jurídico utilizado quando um óbito resulta de consequências não intencionais de um comportamento arriscado.

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Família apela à consciencialização sobre os riscos

Após a tragédia, a família de Amy Louise Leonard tem procurado alertar para os perigos do consumo recreativo de óxido nitroso. A mãe da jovem, Katrina Proctor, participou recentemente no programa televisivo Good Morning Britain para partilhar a história da filha.

Segundo a mãe, a jovem tinha grande talento para maquilhagem e uma personalidade marcante, sendo descrita como uma pessoa extremamente sociável e acolhedora.

A família afirma agora que pretende transformar a dor da perda numa campanha de sensibilização, com o objetivo de evitar que outras famílias passem por uma tragédia semelhante.

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