Cientista é investigado após ameaçar colega com faca em base isolada na Antártida

Um investigador destacado na estação antártica sul-coreana Jang Bogo está a ser investigado pelas autoridades da Coreia do Sul depois de alegadamente ter ameaçado um colega com uma faca improvisada durante uma missão científica numa das regiões mais isoladas do planeta.

Um investigador destacado na estação antártica sul-coreana
Cientista é investigado após ameaçar colega com faca em base isolada na Antártida © Getty Images

O episódio ocorreu no mês passado e envolveu membros da equipa que permaneciam na base durante o rigoroso inverno polar antártico, um período marcado por temperaturas extremas, escuridão prolongada e isolamento quase total do resto do mundo.

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Segundo informações divulgadas pelo Instituto Coreano de Investigação Polar (KOPRI), o suspeito terá puxado de uma arma artesanal durante um confronto com outro elemento da missão. A faca improvisada, com cerca de 30 centímetros de comprimento, terá sido construída a partir de uma chapa metálica trabalhada na oficina da própria estação científica.

Apesar da tensão vivida no local, não houve registo de feridos. O investigador acusado acabou por ser afastado preventivamente do restante grupo enquanto eram tomadas medidas para garantir a segurança dos restantes membros da missão.

As autoridades não divulgaram oficialmente a identidade do suspeito, mas a imprensa sul-coreana refere que se trata de um homem na casa dos 50 anos.

Suspeito já teria histórico de problemas disciplinares

De acordo com o jornal Korea Times, o investigador já teria protagonizado episódios de má conduta e conflitos interpessoais antes do incidente agora sob investigação.

As mesmas fontes indicam que o homem apresentava dificuldades de convivência com outros colegas da estação, situação que terá levantado preocupações internas ao longo da missão científica.

Após o episódio, o suspeito foi isolado do restante grupo e posteriormente retirado da Antártida através de uma operação logística internacional extremamente complexa. O investigador chegou à Coreia do Sul na passada segunda-feira, onde passou a estar sob investigação policial.

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As autoridades sul-coreanas abriram um inquérito para apurar as circunstâncias do caso e determinar eventuais responsabilidades criminais.

Retirada da Antártida exigiu cooperação internacional

A saída do investigador da estação Jang Bogo só foi possível graças à colaboração entre diferentes países envolvidos em missões científicas na Antártida.

Durante o inverno polar, grande parte do continente torna-se praticamente inacessível devido às condições climatéricas extremas. As temperaturas podem atingir valores inferiores a 45 graus negativos, enquanto fortes ventos e tempestades de neve dificultam qualquer operação aérea ou marítima.

Por esse motivo, qualquer evacuação médica ou operação de emergência depende frequentemente de coordenação internacional e de janelas meteorológicas favoráveis.

As viagens para as bases científicas antárticas são feitas sobretudo através de aeronaves especializadas capazes de operar em ambientes extremos. Em alguns casos, as deslocações podem durar entre quatro e cinco horas por via aérea. Já as travessias marítimas a partir da Austrália podem prolongar-se até duas semanas, dependendo das condições do mar e do gelo.

Estação Jang Bogo está entre as bases mais isoladas do mundo

A estação Jang Bogo foi inaugurada em 2014 e é a segunda base permanente da Coreia do Sul na Antártida. A instalação encontra-se localizada em Terra Nova Bay, na região de Victoria Land, no sudeste do continente gelado.

A base está rodeada por algumas das paisagens mais inóspitas do planeta e fica a milhares de quilómetros da Nova Zelândia, o território habitado mais próximo.

Nas imediações funcionam ainda outras estações científicas internacionais, entre elas a norte-americana McMurdo Station, considerada uma das maiores bases da Antártida, a Scott Base da Nova Zelândia, a estação italiana Zucchelli e a base alemã Gondwana.

As missões científicas desenvolvidas nestas instalações incluem estudos sobre alterações climáticas, glaciologia, oceanografia, meteorologia e ecossistemas polares.

O Reino Unido também mantém presença permanente na Antártida através do British Antarctic Survey, organismo responsável por várias bases científicas, incluindo Rothera, Halley e Signy.

Isolamento extremo aumenta pressão psicológica nas equipas

Especialistas em missões polares alertam frequentemente para o impacto psicológico provocado pelo isolamento prolongado em ambientes extremos como a Antártida.

Durante o inverno, os investigadores permanecem meses sem possibilidade de evacuação rápida, sujeitos a longos períodos de escuridão, temperaturas severas e contacto limitado com o exterior.

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Estas condições podem aumentar os níveis de stress, ansiedade e tensão entre os membros das equipas científicas, levando as organizações responsáveis pelas bases a implementar avaliações psicológicas rigorosas antes das missões.

O incidente na estação Jang Bogo voltou agora a levantar questões sobre a segurança e o acompanhamento psicológico dos investigadores destacados para algumas das regiões mais remotas do planeta.

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