Paris viveu momentos de grande tensão ontem à noite, quando um homem armado com uma faca e uma tesoura atacou três agentes da Guarda Republicana durante a tradicional cerimónia da chama no Arco do Triunfo, um dos monumentos mais icónicos da capital francesa. O alegado agressor, identificado pela comunicação social como Brahim Bahrir, de 48 anos e nacional francês, foi abatido pela polícia no local.

Um dos agentes terá sofrido ferimentos na mão ao tentar repelir o ataque. Fontes da investigação revelaram que Bahrir, que já deveria estar sob vigilância das autoridades, contactou anteriormente a esquadra local em Aulnay-sous-Bois, nos arredores de Paris, afirmando que planeava “cometer um massacre” no monumento e que pretendia “vingar homens e mulheres mortos pelos infiéis”. Durante a investida, terá gritado: “As nossas mulheres e crianças não deviam ter sido mortas. Veremos quem triunfa sob o Arco do Triunfo”.
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O incidente provocou uma forte mobilização policial e levou ao encerramento do monumento ao público. O trânsito no anel em redor do Arco manteve-se aberto, mas a estação de metro próxima foi temporariamente encerrada por motivos de segurança, conforme comunicado da operadora RATP.
Histórico criminal e radicalização de Brahim Bahrir
Bahrir tinha antecedentes criminais graves e um historial de ataques a agentes da autoridade. Em 8 de junho de 2012, na estação de comboios de Molenbeek, em Bruxelas, esfaqueou três polícias, incluindo uma mulher, alegando que queria “punir” os agentes por não permitirem que mulheres muçulmanas usassem burcas.
Em 2013, o tribunal belga condenou-o a 17 anos de prisão por “tentativa de homicídio ligada a empreendimento terrorista contra três polícias”, “posse ilegal de armas de categoria A” e “rebelião armada”. Mais tarde, foi transferido para França para cumprir parte da pena e acabou por ser libertado no dia 24 de dezembro do ano passado.
Um advogado de Bahrir afirmou que a sua radicalização terá sido acelerada após a perda de emprego na SNCF, a empresa ferroviária nacional francesa, e pela separação da esposa. Segundo as autoridades, o caso evidencia falhas na vigilância de indivíduos considerados perigosos.
Investigação e medidas de segurança reforçadas
O Gabinete do Procurador de Contra-Terrorismo francês abriu uma investigação ao ataque, enviando um investigador ao local para recolher provas e esclarecer as circunstâncias. O episódio sublinha a vulnerabilidade de locais turísticos emblemáticos em Paris face a potenciais ameaças terroristas.
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As autoridades reforçaram a presença policial em toda a zona do Champs-Élysées, mantendo controlo rigoroso sobre os acessos e implementando inspeções adicionais aos visitantes. O Arco do Triunfo, símbolo histórico do período napoleónico, permaneceu encerrado ao público durante o resto do dia, enquanto as investigações prosseguiam.
Especialistas em segurança alertam que casos como este podem aumentar o estado de vigilância em locais públicos e em eventos cerimoniais em França, e recomendam atenção contínua às medidas de prevenção e controlo de indivíduos radicalizados.

