O político moçambicano Venâncio Mondlane afirmou esta sexta-feira que, no último ano, 45 elementos associados ao seu projeto político Anamola foram assassinados. Mondlane, que fundou e preside ao partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), sublinhou que até ao momento não foram apresentadas respostas pelas autoridades.

“Foram assassinados 45 quadros do nosso projeto, ainda na altura, político, que hoje já é um partido efetivo, que é o partido Anamola. E até hoje não há respostas”, declarou Venâncio Mondlane, numa declaração originalmente divulgada pela agência Lusa e aqui reproduzida para publicação.
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A afirmação foi feita no contexto da passagem de um ano do seu regresso a Maputo, a 9 de janeiro de 2025, após mais de dois meses de exílio alegando questões de segurança pós-eleições gerais de 9 de outubro, nas quais foi candidato presidencial.
Mondlane denunciou ainda que a situação dos direitos humanos em Moçambique se agravou ao longo do último ano, acrescentando que foram apresentadas três denúncias formais à Procuradoria-Geral da República sobre perseguições a membros do seu partido.
Regresso ao país e contexto político após as eleições de 2024
Há um ano, em plena contestação aos resultados das eleições gerais de 9 de outubro de 2024, que deram a vitória à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e ao seu candidato presidencial Daniel Chapo, Mondlane regressou a Maputo do exílio, num período marcado por grande agitação social e confrontos com a polícia, que resultaram em pelo menos oito mortos.
Na ocasião, Mondlane proclamou-se como “Presidente eleito pelo povo”, seis dias antes da tomada de posse de Daniel Chapo. Desde o lançamento oficial do partido Anamola, o movimento registou mais de 64 mil membros nos primeiros 10 dias, com o objetivo de alcançar três milhões de militantes através de inscrições digitais.
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O partido Anamola foi aprovado pelo Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos em 15 de agosto de 2025, após pedido de registo submetido em abril. Mondlane anunciou que o congresso de junho de 2026 elegerá o presidente do partido, garantindo um processo democrático aberto a todos os interessados.
Durante mais de cinco meses após as eleições, Moçambique enfrentou manifestações e paralisações convocadas por Mondlane, que, segundo organizações não-governamentais, resultaram na morte de mais de 400 pessoas em confrontos com a polícia. Os conflitos só cessaram após dois encontros entre Mondlane e Chapo com vista à pacificação do país.

