Tribunal anula despedimento de vigilante no Aeroporto da Madeira

Um vigilante que prestava funções no Aeroporto da Madeira foi despedido após ter encontrado duas alianças em ouro no chão das instalações aeroportuárias e não as ter entregue à Polícia de Segurança Pública (PSP), como determinam os procedimentos internos em contexto de segurança aeroportuária.

Um vigilante que prestava funções no Aeroporto da Madeira
Tribunal anula despedimento de vigilante no Aeroporto da Madeira © Mário Vasa

Em vez de seguir o protocolo estabelecido, o trabalhador procurou identificar os proprietários por conta própria. Para isso, contactou um padre e recorreu também às redes sociais para divulgar o achado, numa tentativa de localizar os legítimos donos das peças.

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A atuação foi considerada pela entidade empregadora como uma violação grave das normas internas, levando ao seu despedimento por justa causa. O caso foi inicialmente apreciado pelo Tribunal do Funchal, que validou a decisão da empresa de segurança privada, entendendo que o comportamento do vigilante não cumpria os deveres profissionais exigidos.

No entanto, o trabalhador recorreu da decisão, levando o processo a instâncias superiores.

Tribunal da Relação de Lisboa considera despedimento ilícito

O caso acabou por ser analisado pelo Tribunal da Relação de Lisboa, que reverteu a decisão anterior e concluiu que o despedimento foi ilícito. Apesar de reconhecer que o vigilante não respeitou integralmente os procedimentos definidos pela empresa, o tribunal considerou que não ficou demonstrada intenção de apropriação indevida dos bens encontrados.

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Na fundamentação, os juízes entenderam que o trabalhador terá atuado com o objetivo de devolver as alianças aos respetivos proprietários, ainda que tenha utilizado meios não autorizados no contexto de segurança aeroportuária.

Esta interpretação foi determinante para a decisão final, que deu razão ao recurso apresentado pelo vigilante e anulou o despedimento aplicado pela empresa.

Caso expõe tensão entre regras de segurança e intenção do trabalhador

O caso levanta questões relevantes sobre a aplicação rigorosa dos protocolos em ambientes aeroportuários, onde objetos encontrados devem ser obrigatoriamente entregues às autoridades competentes, neste caso a PSP, garantindo a cadeia de custódia e a segurança dos bens.

Por outro lado, a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa introduz o debate sobre a ponderação da intenção do trabalhador na avaliação de processos disciplinares, distinguindo entre incumprimento de normas e eventual comportamento doloso.

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A situação expõe assim a tensão entre o cumprimento estrito das regras de segurança privada e a avaliação jurídica da boa-fé do trabalhador, num caso que acabou por dividir decisões judiciais entre primeira instância e tribunal superior.

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