O ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, sublinhou este sábado, em Nova Iorque, a importância estratégica da Educação enquanto instrumento fundamental para travar a exploração ilegal de recursos naturais e a sua utilização no financiamento de conflitos armados, com particular incidência na região dos Grandes Lagos e noutras zonas do continente africano.

A posição foi apresentada durante um Evento de Liderança de Alto Nível, subordinado ao tema “Diplomacia Educativa para o Desenvolvimento de África: Minerais Críticos para o Investimento no Ensino Superior e Desenvolvimento de Infraestruturas”, iniciativa que reuniu várias personalidades ligadas à diplomacia, educação e desenvolvimento, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores (MIREX).
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No seu discurso, o governante angolano destacou que a educação desempenha um papel determinante na criação de sociedades mais resilientes, capazes de gerir de forma sustentável os seus recursos naturais e de reduzir a vulnerabilidade à exploração ilícita. Nesse sentido, defendeu o reforço do investimento no ensino superior e na formação técnica especializada, como forma de preparar quadros capazes de responder aos desafios impostos pela transição energética e pela crescente procura global de minerais críticos.
Exploração de minerais críticos e impacto nos conflitos e desigualdades
Téte António alertou para o facto de a crescente procura internacional por minerais críticos estar associada, em diversos contextos, à intensificação de conflitos e à instabilidade política. Segundo o ministro, em várias regiões do mundo — e de forma particularmente sensível em África — estes recursos têm sido alvo de exploração ilegal, servindo como fonte de financiamento para grupos armados e contribuindo para a perpetuação de ciclos de violência.
Na região dos Grandes Lagos, referiu, a exploração ilícita de recursos minerais continua a alimentar tensões regionais, agravando violações dos direitos humanos e dificultando os esforços de pacificação e desenvolvimento sustentável. Acrescentou ainda que a cadeia global de valor destes minerais tem contribuído para aprofundar desigualdades sociais, ao concentrar benefícios económicos em determinados agentes, enquanto comunidades locais permanecem em situação de vulnerabilidade.
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O ministro alertou também para o impacto geopolítico desta realidade, sublinhando que a disputa por minerais essenciais à indústria tecnológica e energética tem reforçado rivalidades internacionais e aumentado a pressão sobre países ricos em recursos naturais.
Angola, União Africana e o reforço das infraestruturas
No seu discurso, Téte António recordou que a Presidência angolana da União Africana, no ano passado, definiu como prioridades estratégicas o desenvolvimento de infraestruturas e a valorização do capital humano em África, considerando estes pilares essenciais para a transformação económica do continente.
Nesse âmbito, destacou a realização, em outubro de 2025, em Angola, da Terceira Cimeira Africana sobre Financiamento de Infraestruturas, evento que reforçou o compromisso dos Estados-membros com a mobilização de recursos para projetos estruturantes e de integração regional.
O governante defendeu ainda que, num contexto global marcado por rápidas transformações tecnológicas e pela crescente importância dos minerais críticos — como os utilizados na produção de baterias, tecnologias digitais e soluções energéticas limpas —, África deve posicionar-se de forma estratégica nas cadeias de valor globais.
Segundo o ministro, esta abordagem pode permitir ao continente não apenas explorar de forma mais sustentável os seus recursos naturais, mas também transformar esses ativos em motores de desenvolvimento inclusivo, promovendo a industrialização, a criação de emprego qualificado e a prosperidade partilhada.
Educação como ferramenta para a paz e transformação económica
Téte António concluiu que a aposta na diplomacia educativa representa um caminho essencial para ligar o conhecimento científico às necessidades reais dos países africanos, permitindo que as futuras gerações estejam melhor preparadas para enfrentar desafios complexos como a gestão de recursos naturais, a transição energética e a prevenção de conflitos.
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Defendeu igualmente que o investimento no ensino superior e em infraestruturas educativas robustas poderá desempenhar um papel decisivo na construção de sociedades mais justas, estáveis e resilientes, reduzindo a dependência de economias baseadas na exploração informal ou ilegal de recursos.
Para o ministro, os minerais críticos podem, se devidamente geridos e integrados em políticas de desenvolvimento sustentável, representar uma oportunidade histórica para África alcançar uma transformação económica estruturante, capaz de impulsionar o crescimento e reforçar a sua posição no contexto internacional.

