O primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer, afirmou não acreditar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteja preparado para recorrer à força militar para tomar a Gronelândia.

Num comunicado de imprensa extraordinário em Downing Street, Starmer classificou a ameaça de Trump de impor tarifas ao Reino Unido como “completamente errada” e pediu um diálogo sereno para resolver a disputa.
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A rejeição de tarifas e a defesa do diálogo diplomático
Starmer explicou que a “pressão económica” não é a forma adequada para resolver divergências sobre a Gronelândia e deixou implícito que o Reino Unido não pretende responder com tarifas retaliatórias contra os EUA.
Após uma chamada telefónica com Trump, o primeiro-ministro sublinhou que o futuro da Gronelândia pertence aos gronelandeses e ao Reino da Dinamarca, rejeitando qualquer tentativa de interferência externa.
O presidente norte-americano anunciou na semana passada que aplicaria tarifas de 10% ao Reino Unido, aumentando para 25% a partir de 1 de junho, até que Washington conseguisse um acordo para comprar a Gronelândia à Dinamarca. A mesma medida, segundo Trump, aplicaria também a outros países europeus, como Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia.
“Guerra de tarifas não interessa a ninguém”: posição britânica e europeia
O primeiro-ministro britânico alertou que as tarifas prejudicariam trabalhadores, empresas e a economia do Reino Unido, defendendo que “o uso de tarifas contra aliados é completamente errado”. Starmer acrescentou que uma guerra comercial “não interessa a ninguém” e que o seu foco é evitar que a situação escalone para esse ponto.
Questionado sobre se acreditava que Trump poderia recorrer a uma ação militar, Starmer respondeu que não acredita nisso, e reiterou a necessidade de resolver a questão através de discussões calmas, sempre com base nos princípios de soberania e valores que defendem que a Gronelândia deve decidir o seu próprio futuro.
Solidariedade europeia e protestos na Gronelândia
Na sequência da crise, oito países da NATO emitiram uma declaração conjunta, alertando para o risco de um “espiral descendente perigoso” e reafirmando a solidariedade com a Dinamarca e a população gronelandesa. A declaração também defendeu que um exercício militar conjunto recentemente anunciado na Gronelândia não constitui ameaça, reforçando o compromisso com a segurança do Ártico.

Entretanto, na capital gronelandesa, Nuuk, milhares de pessoas manifestaram-se no sábado com o lema “a nossa casa não está à venda”, numa demonstração de rejeição à tentativa de Trump de adquirir o território autónomo, rico em recursos minerais.
Por que a Gronelândia é alvo de Trump?
A Gronelândia, situada no Círculo Polar Ártico, tem um valor estratégico crescente para as grandes potências, especialmente à medida que as alterações climáticas tornam a região mais acessível. Os Estados Unidos já possuem uma base de defesa antimíssil no território e, com a ilha, ganhariam um posto avançado entre o Atlântico e o Ártico.
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Além do valor geoestratégico, a Gronelândia é rica em minerais raros essenciais para baterias, telemóveis e veículos, e pode ainda conter reservas de petróleo e gás, embora a exploração seja considerada demasiado arriscada por cientistas. O primeiro-ministro dinamarquês, Mette Frederiksen, advertiu que qualquer ataque militar poderia significar o fim da NATO, uma hipótese que Trump ainda não excluiu.

