A estação de metro de South Kensington, uma das mais antigas e icónicas da rede do metro de Londres, vai ser alvo de uma remodelação profunda avaliada em cerca de 120 milhões de libras (aproximadamente 140 milhões de euros). O projeto pretende modernizar a infraestrutura, melhorar a acessibilidade e responder ao aumento significativo de passageiros numa das zonas mais movimentadas da capital britânica.

Com mais de 157 anos de história, a estação integra a vida quotidiana de um dos bairros mais prestigiados de Londres e registou quase 30 milhões de viagens em 2024, confirmando a sua importância estratégica na mobilidade urbana da cidade. A sua localização privilegiada, com ligações diretas a importantes instituições culturais, reforça ainda mais o seu papel central no turismo e no transporte diário.
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Entre os pontos mais relevantes da estação estão os acessos subterrâneos que ligam diretamente a alguns dos museus mais visitados do mundo, como o Victoria and Albert Museum, o Natural History Museum e o Science Museum. Esta ligação direta torna South Kensington um importante eixo de circulação de visitantes nacionais e internacionais, especialmente em períodos de maior afluência turística.
Apesar da sua relevância histórica e funcional, a estação mantém atualmente limitações estruturais significativas, sendo a mais movimentada da rede de metro de Londres sem acessibilidade total sem escadas. Esta situação tem impacto direto em milhares de passageiros com mobilidade reduzida, incluindo utilizadores de cadeiras de rodas, carrinhos de bebé e pessoas com dificuldades de locomoção. Estima-se que cerca de meio milhão de viagens deixam de ser realizadas anualmente devido a estas barreiras.
Plano de modernização aposta em acessibilidade, mobilidade e regeneração urbana
O projeto de requalificação será desenvolvido pela Transport for London (TfL), em parceria com a Native Land e a Places for London, e tem como prioridade central a melhoria da acessibilidade e a redução da sobrelotação, num contexto de crescente pressão sobre a infraestrutura existente.
Uma das principais intervenções será a criação de uma nova entrada acessível na Thurloe Street, que permitirá acesso sem escadas à bilheteira, às plataformas e à passagem subterrânea que liga diretamente aos museus. Esta medida é considerada fundamental para transformar a estação num espaço verdadeiramente inclusivo e funcional para todos os passageiros.
Outro ponto central do projeto será a reabertura da antiga plataforma 1, que será requalificada com uma nova cobertura e passará a servir os serviços das linhas Circle e District no sentido este. Esta intervenção inclui ainda a recuperação da arcada histórica da estação, com o objetivo de devolver o espaço ao seu desenho arquitetónico original, valorizando o património vitoriano.
Além das melhorias estruturais, estão previstas alterações significativas ao nível da experiência do utilizador. As plataformas serão renovadas com materiais de baixa manutenção, serão instalados novos sistemas de iluminação e som, e haverá uma reorganização visual do espaço, com redução de painéis publicitários e introdução de sinalética modernizada, incluindo novos símbolos da rede TfL.
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Desenvolvimento urbano inclui habitação, comércio e nova centralidade cultural
O projeto não se limita à estação, abrangendo também a requalificação da área envolvente. Está prevista a construção de cerca de 50 novas habitações, incluindo unidades de habitação acessível na zona de Pelham Street, numa tentativa de responder à crescente pressão habitacional em Londres.
Paralelamente, será construído um novo edifício de quatro pisos denominado “The Bullnose”, localizado na frente da estação. Este espaço irá acolher cafés, restaurantes e escritórios, embora ainda não estejam confirmados os operadores comerciais que irão ocupar o edifício. A intervenção pretende criar uma nova frente urbana mais ativa, com maior dinamismo económico e social.
De acordo com o calendário divulgado, a fase de conceção do projeto terá início durante o verão, enquanto o arranque das obras está previsto para dezembro. A conclusão total da requalificação deverá acontecer em 2029, altura em que a estação será reaberta com uma nova configuração operacional e arquitetónica.
Autoridades destacam impacto na mobilidade e economia local
O vice-presidente da Câmara de Londres para os Transportes, Seb Dance, destacou que a intervenção terá um impacto significativo na experiência de milhões de passageiros, sublinhando a importância da acessibilidade como elemento central do projeto. Segundo o responsável, a modernização permitirá deslocações mais rápidas, seguras e inclusivas.
Também o deputado por Kensington e Bayswater, Joe Powell, afirmou que a requalificação tornará a estação mais preparada para acolher o elevado fluxo de visitantes provenientes de todo o Reino Unido e do estrangeiro, reforçando o papel da zona como destino cultural e turístico.
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Já Sir Ian Blatchford, diretor e presidente executivo do Science Museum Group, alertou para as limitações atuais da infraestrutura, referindo que milhões de visitantes — incluindo pessoas com mobilidade reduzida e famílias com carrinhos de bebé — enfrentam dificuldades no acesso à estação. O responsável destacou ainda que o distrito cultural de South Kensington gera cerca de 2 mil milhões de libras por ano, valor que poderá aumentar com a melhoria da capacidade e acessibilidade da estação.
A transformação de South Kensington é apresentada como um dos projetos urbanos mais relevantes da próxima década em Londres, combinando preservação histórica, modernização tecnológica e regeneração urbana, num equilíbrio entre tradição e futuro da mobilidade na capital britânica.

