Uma expedição de mergulho nas Maldivas terminou em tragédia após seis pessoas perderem a vida numa caverna submersa conhecida entre mergulhadores especializados como “caverna dos tubarões”. O acidente, considerado pelas autoridades locais como o mais grave da história do mergulho no país, ocorreu no atol de Vaavu, numa zona de elevada profundidade e acesso extremamente difícil.

Entre as vítimas estão cinco mergulhadores italianos e um mergulhador de resgate das forças militares das Maldivas, que morreu durante uma operação de recuperação dos corpos.
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Expedição de investigação terminou em tragédia
Os cinco italianos participavam numa viagem de investigação científica quando entraram na gruta submersa Dhevana Kandu, localizada a cerca de 160 pés de profundidade, equivalente a aproximadamente 49 metros.
As vítimas foram identificadas como Monica Montefalcone, professora de ecologia, a sua filha Giorgia Sommacal, a investigadora Muriel Oddenino, o biólogo marinho Federico Gualtieri e o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti.
O corpo de Benedetti foi encontrado poucos dias após o acidente. Já os restantes quatro corpos foram recuperados posteriormente, após extensas operações de busca conduzidas por equipas especializadas.
Durante uma das missões de resgate, o mergulhador militar maldivo Mohamed Mahudhee morreu devido a doença de descompressão, condição frequentemente associada a mergulhos profundos.
Vídeo revela perigos da caverna submersa
Um vídeo gravado no interior da mesma caverna em 2014 voltou agora a circular após ser divulgado pela CNN. As imagens foram captadas por Vladimir Tochilov, instrutor técnico de mergulho em cavernas, e mostram a complexidade e os perigos da gruta submersa.
As gravações revelam um ambiente completamente escuro, onde os mergulhadores dependem exclusivamente de lanternas para orientação. O vídeo mostra ainda passagens estreitas e fendas apertadas que exigem elevado nível técnico e experiência avançada.
Segundo Vladimir Tochilov, o acesso à caverna deve ser reservado apenas a mergulhadores altamente especializados.
“É difícil porque está localizada em grande profundidade. Esta caverna só é acessível a mergulhadores técnicos com preparação adequada, experiência e planeamento rigoroso”, afirmou.
O especialista revelou ainda que o nome da caverna terá sido alterado informalmente entre mergulhadores técnicos para evitar que praticantes inexperientes fossem tentados a explorar o local.
Autoridades investigam possível violação dos limites legais
As autoridades locais acreditam que o mergulho terá ultrapassado os limites legais de profundidade permitidos para atividades recreativas e comerciais nas Maldivas.
Segundo um porta-voz do operador turístico italiano responsável pela viagem, o equipamento utilizado aparentava ser material convencional de mergulho recreativo, inadequado para operações em profundidades extremas.
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Apesar disso, a empresa negou ter autorizado ou tido conhecimento da descida para além dos limites permitidos, segundo informações divulgadas pelo jornal italiano Corriere della Sera.
As investigações procuram agora determinar se houve falhas de planeamento, incumprimento das regras de segurança ou problemas técnicos durante o mergulho.
Mergulhadores especialistas localizaram corpos no ponto mais profundo
Três mergulhadores especialistas finlandeses chegaram ao local no dia 17 de maio, três dias após o acidente. No dia seguinte conseguiram localizar os corpos dos quatro italianos desaparecidos na secção mais profunda da caverna.
Após a recuperação, os mergulhadores entregaram às autoridades várias câmaras GoPro encontradas junto do grupo.
Embora as imagens ainda não tenham sido divulgadas publicamente, os investigadores esperam que os vídeos ajudem a reconstruir os últimos momentos da expedição e a perceber o que aconteceu antes da tragédia.
Acidente reacende debate sobre segurança no mergulho técnico
O caso voltou a levantar questões sobre os riscos associados ao mergulho técnico em cavernas submersas, especialmente em locais de difícil acesso e grande profundidade.
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Especialistas alertam que este tipo de atividade exige formação específica, planeamento rigoroso e equipamento adequado, sendo considerada uma das modalidades mais perigosas do mergulho.
As autoridades das Maldivas continuam a investigar o acidente, enquanto a comunidade internacional de mergulho acompanha o caso com preocupação.

