Um hospital improvisado para tratamento de doentes com Ébola foi parcialmente destruído por um incêndio na província de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC), após familiares de uma vítima tentarem recuperar o corpo à força. O incidente ocorreu num contexto de forte desinformação sobre o surto, que continua a alastrar na região.

As autoridades congolesas reforçaram a segurança militar junto da unidade de saúde depois do ataque, que deixou pelo menos um trabalhador hospitalar ferido.
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Familiares incendiaram tendas após recusa na entrega do corpo
Segundo informações divulgadas pelas autoridades locais, os familiares de um jovem futebolista falecido devido ao vírus deslocaram-se ao Hospital de Rwampara para exigir a entrega do corpo.
No entanto, os responsáveis médicos recusaram o pedido, uma vez que os corpos das vítimas de Ébola continuam altamente contagiosos após a morte e exigem protocolos rigorosos de segurança sanitária.
Perante a recusa, os familiares terão começado a atirar pedras contra as instalações e incendiaram duas tendas de tratamento, apesar de seis pacientes se encontrarem no interior no momento do ataque.
O incidente obrigou as autoridades a destacarem forças militares para proteger o hospital e evitar novos episódios de violência.
Desinformação dificulta combate ao surto de Ébola
De acordo com Luc Mambele, vice-presidente do partido político congolês A2RC, muitas comunidades da região continuam a acreditar que o Ébola não existe.
Segundo o responsável, há quem considere o vírus uma invenção criada por estrangeiros ou organizações internacionais.
“A população não está suficientemente informada sobre o que está a acontecer. Em algumas comunidades mais remotas, o Ébola é visto como uma invenção dos homens brancos”, afirmou Mambele à CNN.
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A mãe do jovem falecido acredita que o filho morreu de febre tifóide, doença associada à ingestão de água contaminada, recusando aceitar o diagnóstico relacionado com Ébola.
As autoridades de saúde enfrentam uma crescente onda de desinformação e desconfiança, agravada pela circulação de teorias que acusam hospitais e organizações não-governamentais de explorarem financeiramente a crise sanitária.
Surto de Ébola já causou mais de 130 mortos
O atual surto de Ébola já provocou pelo menos 130 mortes confirmadas, enquanto centenas de casos suspeitos continuam sob investigação.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”, embora considere improvável que a situação evolua para uma pandemia global.
O vírus responsável pelo surto pertence à rara variante Bundibugyo, para a qual atualmente não existe vacina nem tratamento específico.
Segundo os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças, o número real de infetados poderá ultrapassar os 600 casos, havendo receios de que os números continuem a aumentar à medida que novos testes laboratoriais forem concluídos.
Uganda também regista casos e aumenta receio de propagação
A variante Bundibugyo está também a afetar o Uganda, onde já foram registados casos na capital Kampala, incluindo pelo menos uma morte.
As autoridades de saúde alertam que a propagação do vírus poderá ser agravada pelos movimentos populacionais entre a RDC e os países vizinhos.
A província de Ituri enfrenta ainda um cenário de conflito armado e deslocações internas, fatores que dificultam o acesso aos cuidados médicos e comprometem os esforços para conter o surto.
Além disso, a região recebe trabalhadores migrantes ligados à exploração mineira, especialmente nas minas de ouro, aumentando o risco de circulação transfronteiriça do vírus.
Perante o agravamento da situação, foram suspensos transportes públicos, voos e ligações fluviais entre o Uganda e a República Democrática do Congo.
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Autoridades reforçam medidas de contenção
As equipas de saúde continuam a realizar rastreios, isolamento de casos suspeitos e campanhas de sensibilização junto das populações locais.
No entanto, especialistas alertam que a desinformação, o medo e a desconfiança em relação às autoridades podem comprometer seriamente os esforços internacionais para travar o surto de Ébola na região central de África.

