Sánchez rejeita alinhar com EUA e Israel

O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, afirmou esta quarta-feira que o Governo espanhol não apoiará a ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, garantindo que Madrid não alterará a sua posição “simplesmente por medo de represálias”.

O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez
Sánchez rejeita alinhar com EUA e Israel © Nicolas Tucat/AFP

Numa declaração transmitida a partir da sede do executivo, em Madrid, Sánchez sublinhou que Espanha condena o regime iraniano pela repressão interna e pelas violações de direitos humanos, em particular contra mulheres, mas considera que a resposta militar não constitui uma solução legítima nem eficaz.

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“Repudiamos o regime do Irão, que reprime e mata vilmente os seus cidadãos, mas rejeitamos o conflito e pedimos uma solução diplomática e política”, afirmou. O chefe do Governo acrescentou que a posição espanhola é coerente com a linha seguida em crises anteriores, como na Ucrânia, em Gaza, na Gronelândia ou na Venezuela.

Sánchez defendeu que os ataques ao Irão e a resposta de Teerão representam uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, alertando para o risco de uma escalada regional de grandes proporções. “Não se responde a uma ilegalidade com outra. É assim que começam os grandes desastres da História”, declarou.

Tensão diplomática com Donald Trump após recusa sobre bases militares

As declarações do líder do executivo espanhol surgem após críticas e ameaças do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusou Espanha de ter sido “terrível” e admitiu a possibilidade de cortar relações comerciais com o país.

Na origem da tensão está a decisão de Madrid de não autorizar a utilização das bases militares de Rota e Morón, no sul de Espanha, para apoiar as operações norte-americanas relacionadas com os ataques ao Irão. Perante a recusa, os Estados Unidos transferiram aviões de reabastecimento aéreo estacionados em território espanhol para outras bases na Europa.

Trump criticou igualmente a opção do Governo espanhol de não aumentar para 5% do Produto Interno Bruto o investimento em defesa, meta defendida por vários membros da NATO. Espanha tem sustentado que cumpre os seus compromissos no âmbito da Aliança Atlântica, mas que a política orçamental deve respeitar as prioridades nacionais e o equilíbrio financeiro.

Pedro Sánchez reafirmou que Espanha é “membro de pleno direito” da União Europeia, da NATO e da comunidade internacional, rejeitando qualquer tentativa de pressão externa que condicione a política externa do país. “Não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo e contrário aos nossos interesses simplesmente por medo de represálias”, declarou.

Conflito no Médio Oriente agrava-se com centenas de mortos

Israel e os Estados Unidos lançaram, no sábado, um ataque militar contra o Irão com o objetivo declarado de “eliminar ameaças iminentes” atribuídas ao regime iraniano. Teerão respondeu com mísseis e drones dirigidos a bases norte-americanas na região e a alvos israelitas, intensificando a instabilidade no Médio Oriente.

De acordo com o Crescente Vermelho iraniano, os bombardeamentos já provocaram 787 mortos no Irão desde o início da ofensiva. O Exército dos Estados Unidos confirmou também a morte de seis militares norte-americanos.

Sánchez considerou que, além da escalada militar, permanecem pouco claros os objetivos estratégicos da operação conduzida por Washington e Telavive. “Aquilo que sabemos é que não sairá daqui uma ordem internacional mais justa”, afirmou, defendendo que a via diplomática é a única capaz de evitar consequências duradouras.

Governo espanhol invoca lições da História e pede cessar-fogo imediato

O primeiro-ministro evocou conflitos passados, como a guerra no Iraque, sublinhando que intervenções militares anteriores não só falharam na resolução dos problemas que pretendiam enfrentar, como contribuíram para ondas de violência, instabilidade política e crises migratórias na Europa e noutras regiões.

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Na sua intervenção, deixou ainda críticas implícitas a líderes que, segundo afirmou, utilizam “a cortina de fumo da guerra para dissimular debilidades internas”. Para o chefe do Governo espanhol, a prioridade deve ser um cessar-fogo imediato e a abertura de negociações diplomáticas que envolvam todos os intervenientes.

Perante um cenário internacional cada vez mais volátil, Madrid insiste que a defesa do direito internacional e do multilateralismo constitui a única base sustentável para garantir estabilidade e segurança globais, afastando-se de qualquer alinhamento automático com estratégias militares que considere contrárias aos seus princípios e interesses.

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