A Rússia voltou a intensificar a ofensiva militar contra a Ucrânia com um ataque nocturno de grande dimensão, recorrendo a centenas de mísseis e drones, incluindo o disparo de um míssil balístico hipersónico Oreshnik, com capacidade nuclear. O ataque atingiu várias cidades ucranianas, com especial destaque para Kyiv e Lviv, esta última localizada a poucos quilómetros da fronteira com a Polónia, membro da NATO e da União Europeia.

Ataques a Kyiv provocam apagões e evacuações em massa
Durante várias horas, o céu da capital ucraniana foi marcado por explosões sucessivas, à medida que as defesas aéreas tentavam intercetar os projéteis lançados pelas forças russas. As autoridades confirmaram que duas grandes centrais eléctricas foram danificadas, originando cortes significativos no fornecimento de electricidade e de água em vários bairros da cidade.
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Face à gravidade da situação, residentes de diferentes zonas de Kyiv receberam ordens de evacuação preventiva. Entre os edifícios afectados encontra-se também a embaixada do Qatar, que sofreu danos materiais durante os bombardeamentos. Não foram divulgados, até ao momento, números oficiais de vítimas, mas as autoridades locais admitem que o impacto humanitário poderá ser significativo.
Míssil Oreshnik atinge Lviv perto da fronteira com a NATO
Um dos aspectos mais alarmantes do ataque foi a utilização do míssil Oreshnik contra a cidade de Lviv, situada a cerca de 65 quilómetros da fronteira com a Polónia. Foram registadas várias explosões em diferentes pontos da cidade, levantando receios de um alargamento do conflito para mais perto do território da NATO.
Esta terá sido apenas a segunda vez que a Rússia utilizou este tipo de míssil em combate, depois de um ataque registado em Dnipro no final de 2024. O Oreshnik é capaz de atingir velocidades próximas de 8.000 quilómetros por hora, o que, segundo especialistas militares, lhe permitiria alcançar países da Europa Ocidental em poucos minutos, aumentando a pressão estratégica sobre os aliados europeus.
Capacidade nuclear e mensagem de intimidação do Kremlin
Conhecido em russo como “arbusto de avelã”, o míssil Oreshnik foi entregue às forças armadas russas, segundo informações disponíveis, no verão de 2024. Actualmente equipado com seis ogivas convencionais independentes, o sistema é considerado suficientemente poderoso para transportar armamento nuclear, o que o transforma numa ferramenta de intimidação nuclear dirigida à NATO e à União Europeia.
O próprio Vladimir Putin afirmou publicamente que estes mísseis podem atingir até dez vezes a velocidade do som e que são praticamente impossíveis de intercetar em pleno voo. O número exacto de mísseis Oreshnik ao dispor da Rússia permanece classificado, reforçando a incerteza e o receio quanto à real dimensão da ameaça.
Reacções internacionais e acusações de crime de guerra
Os serviços de segurança ucranianos anunciaram que estão a tratar o ataque a Lviv como um possível crime de guerra, por ter visado infra-estruturas críticas perto da fronteira da União Europeia e ocorrido em condições meteorológicas adversas, agravando os riscos para a população civil. Imagens divulgadas pela Metro mostram o momento das explosões e a intensidade dos bombardeamentos registados na região.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, alertou que um ataque desta natureza, tão próximo das fronteiras da UE e da NATO, constitui uma ameaça séria à segurança europeia e um teste à resposta da comunidade transatlântica. Já a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, afirmou que os bombardeamentos demonstram que Moscovo não está interessada em soluções diplomáticas, defendendo um reforço do apoio militar e político a Kyiv.
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A Rússia justificou a ofensiva como uma resposta a uma alegada tentativa de ataque com drones à residência oficial de Vladimir Putin, pouco antes do Ano Novo. Esta versão foi rejeitada pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que classificou as acusações como falsas e destinadas a legitimar uma nova vaga de ataques contra território ucraniano.
O agravamento da ofensiva surge num momento delicado, pouco depois de contactos diplomáticos entre a Ucrânia e enviados do Presidente norte-americano, Donald Trump, aumentando as dúvidas quanto às reais intenções do Kremlin relativamente a um eventual processo de paz.

