Rússia e Ucrânia anunciam trégua para a Páscoa Ortodoxa

A Rússia e a Ucrânia acordaram uma trégua temporária para assinalar a Páscoa Ortodoxa, num contexto ainda marcado por forte tensão militar. O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou ter ordenado às suas forças um cessar-fogo “em todas as direções” a partir das 16h00 (hora local) de sábado, 11 de abril, até ao domingo de Páscoa.

O Metropolita Epifânio I, chefe da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, asperge água benta
Rússia e Ucrânia anunciam trégua para a Páscoa Ortodoxa © Reuters

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A decisão surge após repetidos apelos do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para a implementação de uma pausa nos combates, solicitações que, até agora, tinham sido ignoradas pelo Kremlin. Moscovo indicou ainda esperar que Kiev “siga o exemplo”, ao mesmo tempo que instruiu as suas tropas a manterem-se prontas para responder a “provocações” ou ações consideradas agressivas.

A resposta ucraniana não tardou. Zelensky afirmou que o país está disponível para adotar “medidas simétricas”, sublinhando a necessidade de proporcionar aos cidadãos uma Páscoa sem ameaças e com sinais concretos de avanço rumo à paz. O líder ucraniano acrescentou ainda que a Rússia tem agora a oportunidade de prolongar a suspensão de ataques para além do período festivo.

População e militares esperam alívio, mas histórico gera ceticismo

Apesar de qualquer trégua representar um potencial alívio para militares e civis, o clima no terreno permanece de cautela. Ao longo da extensa linha da frente no leste da Ucrânia, os combates têm sido intensos, com o uso constante de drones de ataque.

Para a população civil, habituada ao som frequente das sirenes antiaéreas, a pausa poderá significar um raro momento de tranquilidade. Ainda recentemente, ataques causaram vítimas mortais em várias regiões: em Nikopol, no sudeste, um drone atingiu um autocarro, enquanto em Zhytomyr, a oeste de Kiev, uma mulher morreu após a queda de um míssil junto à sua residência.

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Mesmo após o anúncio da trégua, as sirenes voltaram a soar na capital ucraniana, evidenciando a fragilidade da situação.

Por outro lado, a Ucrânia tem intensificado ataques com drones contra território russo, visando sobretudo infraestruturas energéticas. Moscovo afirma que algumas dessas ofensivas também atingiram áreas residenciais.

O histórico recente contribui para o ceticismo em relação à eficácia desta nova tentativa de cessar-fogo. No início do ano, a Rússia declarou uma “trégua energética”, suspendendo temporariamente ataques a infraestruturas elétricas ucranianas, pausa que terminou rapidamente com novos bombardeamentos. Em maio do ano passado, uma suspensão unilateral das hostilidades resultou em centenas de violações registadas por Kiev.

Impasse nas negociações de paz mantém conflito ativo

O Governo ucraniano tem insistido na necessidade de um cessar-fogo total e duradouro como primeiro passo para negociações de paz. Em contrapartida, Moscovo defende que um acordo definitivo deve preceder qualquer interrupção prolongada dos combates.

Este desacordo tem alimentado acusações por parte de Kiev de que a Rússia não demonstra compromisso real com o fim da guerra.

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As negociações entre as partes, mediadas pelos Estados Unidos, encontram-se atualmente estagnadas. O processo perdeu impulso após o presidente Donald Trump redirecionar a sua atenção para o Médio Oriente, deixando o diálogo entre Moscovo e Kiev em suspenso.

Perante este cenário, a trégua da Páscoa é vista mais como um gesto simbólico do que como um verdadeiro ponto de viragem no conflito.

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