O antigo secretário-geral da NATO, George Robertson, afirmou que a segurança nacional do Reino Unido está “em perigo” e que o país “não está seguro”, acusando o primeiro-ministro Keir Starmer de travar o investimento necessário na defesa.

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Robertson, que também desempenhou funções como secretário da Defesa pelo Partido Trabalhista no início dos anos 2000, considera que o Governo está “mal preparado” para enfrentar potenciais ameaças. O responsável denunciou ainda uma “complacência corrosiva” na liderança política britânica no que diz respeito à segurança nacional.
Numa entrevista ao jornal Financial Times, o antigo dirigente sublinhou existir uma discrepância entre o discurso político do primeiro-ministro e as ações concretas na área da defesa, acusando-o de não estar disposto a fazer o investimento necessário.
Estratégia de defesa e alertas sobre financiamento insuficiente
As declarações surgem numa altura em que o plano delineado na Revisão Estratégica de Defesa — documento elaborado pelo próprio Robertson — previa um aumento da despesa militar para 3% do Produto Interno Bruto até 2030. No entanto, a implementação de várias medidas tem sido adiada.
Além disso, existem preocupações crescentes sobre um possível défice de financiamento de cerca de 28 mil milhões de libras para as forças armadas nos próximos quatro anos. Fontes indicam que o Ministério da Defesa do Reino Unido, o Tesouro e o gabinete do primeiro-ministro ainda não chegaram a consenso sobre a forma de colmatar essa lacuna.
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Num discurso previsto para Salisbury, Robertson deverá reforçar o tom de alerta, referindo que a guerra com o Irão deve servir como um “duro sinal de despertar”. Segundo o antigo responsável, o país encontra-se “subpreparado, subprotegido e sob ataque”.
Governo defende aumento histórico da despesa militar
Em resposta às críticas, um porta-voz do Governo britânico garantiu que o executivo está a cumprir a revisão estratégica da defesa, destacando que o plano inclui “o maior aumento sustentado da despesa militar desde a Guerra Fria”, com mais de 270 mil milhões de libras previstos ao longo da legislatura.
Apesar disso, outras vozes têm vindo a manifestar preocupação. O chefe do Estado-Maior da Força Aérea, Richard Knighton, alertou recentemente para a necessidade de atualizar o chamado “manual de guerra” do país, um documento que define procedimentos essenciais em caso de conflito, semelhante ao modelo adotado pela Suécia perante o aumento das ameaças russas.
Tensões na NATO e incerteza sobre o papel dos EUA
O contexto internacional também contribui para o agravamento das preocupações. A NATO enfrenta um período de instabilidade após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que admitiu a possibilidade de retirar o país da aliança militar.
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Trump criticou a organização por, alegadamente, não apoiar suficientemente os interesses norte-americanos, sobretudo após o início do conflito com o Irão, levantando dúvidas sobre o futuro da cooperação transatlântica em matéria de defesa.

