O Reino Unido vai criar um novo serviço nacional de combate ao crime, apelidado de “FBI britânico”, que reunirá investigações de terrorismo, fraude e crime organizado sob uma única estrutura. A medida foi anunciada pela Ministra do Interior, Shabana Mahmood, que apresentará esta segunda-feira um White Paper detalhando as reformas do sistema policial.

O National Police Service (NPS) terá como objetivo centralizar operações complexas, integrando unidades atualmente dispersas, incluindo a National Crime Agency (NCA), o Counter Terror Policing (CTP), a National Police Air Service e a National Roads Policing. Segundo a Ministra, a criação do NPS permitirá aliviar a pressão sobre as polícias locais, que frequentemente desviam recursos de tarefas do quotidiano, como prevenção de pequenos crimes e comportamentos antisociais, para lidar com problemas de âmbito nacional.
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“A estrutura policial atual foi construída para um século diferente. Algumas forças locais não têm as competências ou recursos necessários para combater crimes modernos complexos, como fraude, abuso infantil online ou gangues organizadas. Vamos criar um National Police Service, utilizando talento de classe mundial e tecnologia avançada para capturar criminosos perigosos”, afirmou Mahmood.
O NPS atuará principalmente em Inglaterra e País de Gales, mas terá capacidade de intervenção em toda a extensão do Reino Unido, partilhando informações, recursos e tecnologia entre regiões. A medida permitirá às forças locais concentrar-se mais na segurança comunitária e na prevenção de delitos nas suas áreas de atuação.
Estrutura, Tecnologia e Coordenação Nacional
O novo serviço será liderado por um Comissário Nacional de Polícia, a figura policial mais sénior do país, responsável pela definição de padrões, formação e aquisição de tecnologias de ponta, incluindo sistemas de reconhecimento facial, análise de dados e inteligência artificial aplicada à prevenção do crime.
Durante a fase de implementação, o NPS funcionará em coordenação com as forças existentes, garantindo uma transição gradual que mantenha a experiência e os recursos da NCA, CTP e unidades regionais de crime organizado. A integração permitirá uma atuação mais eficiente contra crimes complexos e transnacionais, incluindo terrorismo, fraude financeira, crimes cibernéticos e gangues organizadas.
A criação do NPS recebeu apoio de várias entidades, incluindo o Metropolitan Police, o CTP e o National Police Chiefs’ Council (NPCC), que consideram o passo “ambicioso e necessário” para unir algumas das equipas mais qualificadas do país. No entanto, as autoridades sublinharam que as ligações com a polícia local e com as comunidades devem ser preservadas, garantindo que os oficiais de bairro mantenham a sua importância na prevenção do crime e no contacto direto com os cidadãos.
Reações das Autoridades e Especialistas
A City of London Police, responsável atualmente pela liderança nacional em casos de fraude, manifestou apoio às reformas, destacando o papel crítico da polícia na proteção da segurança económica do Reino Unido. Em comunicado, o presidente da City of London Police Authority, Tijs Broeke, e o Comissário Pete O’Doherty afirmaram que “as reformas visam melhorar a eficiência e eficácia da polícia em benefício das vítimas”, mantendo o combate a crimes económicos e cibernéticos.
Neil Basu, ex-responsável pelo Counter Terrorism Policing, afirmou que o NPS será “muito mais capaz como sistema de segurança nacional, lidando de forma mais eficaz com o crime organizado, grandes delitos e terrorismo em todas as suas formas”. Graeme Biggar, diretor-geral da NCA, que será integrado no novo organismo, também apoiou a proposta, considerando que a centralização vai permitir uma resposta mais rápida e coordenada a ameaças complexas.
Impacto nas Forças Locais e Reformas Estruturais
A Ministra Mahmood pretende reduzir o número total de forças em Inglaterra e País de Gales, atualmente 43, substituindo-as por unidades maiores e mais centralizadas. Este modelo, defendido por altos responsáveis policiais como Sir Mark Rowley, Comissário do Metropolitan Police, é considerado mais racional e eficiente para enfrentar crimes modernos e coordenar operações nacionais.

Apesar do apoio, a Association of Police and Crime Commissioners (APCC) alertou que a criação de forças regionais será cara e demorada, e poderá enfraquecer os laços entre polícia e comunidade. Para financiar o reforço da polícia de proximidade, está previsto eliminar os cargos de comissários de polícia e crime até 2028, transferindo responsabilidades para presidentes de câmara e líderes de concelhos locais, o que permitirá uma poupança estimada de £100 milhões.
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O NPS pretende também implementar tecnologias avançadas, como inteligência artificial, análise de dados de investigação e sistemas de vigilância digital, garantindo que todas as forças do país possam aceder a recursos de última geração sem depender de compras individuais.

