O candidato do partido Reform, Matt Goodwin, para as próximas eleições intercalares em Gorton e Denton, Manchester, gerou polémica ao sugerir que pessoas sem filhos deveriam pagar impostos adicionais. A ideia foi apresentada num blogue em 2023 e propunha um “imposto negativo sobre benefícios de criança” para cidadãos sem descendência, afectando tanto homens como mulheres.

Goodwin defendeu ainda que o governo deveria remover o imposto sobre o rendimento para mulheres com dois ou mais filhos, criando incentivos fiscais claros para quem decide ter família numerosa. O candidato propôs a promoção de uma “cultura pró-família”, incluindo a criação de um dia nacional dedicado à parentalidade e mensagens do rei sempre que uma família tiver o terceiro filho. Outras medidas incluíam prioridade para famílias britânicas na construção de novos empreendimentos habitacionais e alterações ao currículo escolar para reforçar a importância da família na educação das crianças.
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Reações políticas e comparações com obras distópicas
A proposta de Matt Goodwin provocou críticas imediatas. Lucy Powell, deputada do Labour, classificou a ideia como “absurda” e comparou-a à obra distópica The Handmaid’s Tale, alertando para o risco de pressionar mulheres a engravidar e retirar-lhes a liberdade de escolha. Segundo Powell, a medida poderia punir milhões de mulheres e atentaria contra a sua dignidade básica.
A deputada acusou ainda o Reform, liderado por Nigel Farage, de fomentar divisão em vez de promover a coesão social, e apelou aos eleitores para apoiarem o Labour na eleição, marcada para 26 de fevereiro, na sequência da saída do antigo deputado Andrew Gwynne.
Contexto da eleição e principais adversários
O Reform defende que a campanha em Gorton e Denton teve um “início muito, muito bom”, segundo Nigel Farage, enquanto o líder do Green Party, Zack Polanski, indicou que a eleição será uma disputa principalmente entre Reform e os Verdes. A corrida eleitoral ocorre num contexto de preocupação crescente com o declínio da natalidade no Reino Unido e os desafios sociais e económicos associados à diminuição da população jovem.
Justificação do Reform e debate demográfico
Um porta-voz do Reform respondeu às críticas, defendendo que a proposta de Goodwin se inspira no trabalho do demógrafo Paul Morland e faz parte de um debate necessário sobre a crise demográfica do Reino Unido. Segundo o partido, é fundamental discutir políticas que apoiem famílias e incentivem o aumento da natalidade, incluindo incentivos fiscais, políticas habitacionais e iniciativas culturais.
O Reform argumenta que o governo Labour tem evitado enfrentar desafios de longo prazo, subestimando o impacto da queda nas taxas de natalidade sobre a economia, serviços sociais e sustentabilidade do sistema de pensões. O partido defende um debate maduro e abrangente sobre medidas que incentivem a parentalidade, apoiem famílias britânicas e promovam a estabilidade demográfica do país.
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Impacto social e controvérsia pública
Especialistas e comentadores alertam que propostas como a de Matt Goodwin podem gerar controvérsia social significativa. Críticos apontam que a medida poderia pressionar mulheres e casais, exacerbar desigualdades e levantar questões éticas sobre liberdade individual. Por outro lado, defensores da política argumentam que medidas fiscais e culturais pró-família são comuns em vários países desenvolvidos como forma de enfrentar o declínio populacional e estimular a natalidade.
O debate promete continuar à medida que se aproximam as eleições intercalares, com Reform, Labour e os Verdes a confrontarem-se sobre políticas de família, economia e futuro demográfico do Reino Unido.

