Uma rapariga de 11 anos acreditou que “ia morrer” depois de ter sido esfaqueada repetidamente no rosto por um homem em Leicester Square, no centro de Londres, durante uma visita turística com a mãe. O caso foi conhecido esta semana no tribunal de Old Bailey.

A criança, que se encontrava de férias no Reino Unido vinda da Austrália, estava a rir e a conversar com a mãe numa das zonas mais movimentadas do West End quando foi atacada de forma aleatória por Ioan Pintaru, de 33 anos. O agressor, motorista de pesados de nacionalidade romena, agarrou a menor por trás e desferiu oito golpes com uma faca, antes de ser imobilizado por um segurança de uma loja próxima.

Segundo o tribunal, a rapariga entrou em pânico ao ver o rosto ensanguentado reflectido numa montra, enquanto uma enfermeira que se encontrava no local tentou estancar a hemorragia. Apesar da gravidade do ataque, a vítima sobreviveu, uma vez que a lâmina falhou por milímetros artérias vitais, o olho e o cérebro. Ainda assim, ficou com cicatrizes visíveis no rosto e no pescoço e sofreu um trauma psicológico profundo.
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Intervenção de segurança evitou consequências fatais
O agressor foi desarmado e imobilizado por Abdullah, um segurança da loja TWG Tea, cuja intervenção foi descrita pelo tribunal como um acto de “coragem extraordinária”. O juiz sublinhou que a rapidez e determinação do segurança foram decisivas para evitar um desfecho fatal, atribuindo-lhe uma compensação de mil libras pelo gesto heróico.
A mãe da vítima relatou o horror de assistir ao ataque, descrevendo o agressor como “transtornado” e “com um olhar vazio”. Disse ainda que acreditou estar a ver a filha ser morta à sua frente, um momento que continua a reviver repetidamente. De acordo com o juiz, tanto a mãe como a filha vivem agora com medo de locais públicos e multidões, e a criança tem dificuldades em dormir sozinha, necessitando de manter a luz acesa durante a noite.
Agressor internado indefinidamente por motivos de saúde mental
Ioan Pintaru declarou-se culpado dos crimes de agressão com intenção de causar danos corporais graves e posse de arma branca. No entanto, a acusação de tentativa de homicídio foi retirada, uma vez que os peritos concluíram que o agressor se encontrava em estado de psicose no momento do ataque, não sendo possível provar intenção de matar.

Diagnosticado com esquizofrenia paranóide, Pintaru foi considerado portador de crenças delirantes extensas. O tribunal ouviu que o homem já tinha sido internado várias vezes na Roménia para tratamento de saúde mental e que, um mês antes do ataque, tinha contactado a polícia britânica a pedir ajuda, alegando ser vítima de conspirações e perseguições.
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O juiz Richard Marks ordenou a detenção indefinida do agressor num hospital de segurança máxima, salientando que o ataque “alterou para sempre o curso de vida” da vítima e da sua mãe, deixando um impacto emocional que será permanente.

