Um casal foi morto a tiro durante um ataque terrorista em Bondi Beach, em Sydney, depois de tentar impedir que um alegado atirador disparasse contra civis. Boris Gurman, de 69 anos, e a esposa Sofia Gurman, de 61, perderam a vida num acto de coragem que ocorreu poucas semanas antes de celebrarem o 35.º aniversário de casamento.

A intervenção do casal, descrita pela família como instintiva e altruísta, marcou tragicamente um dos episódios mais violentos registados recentemente na cidade.
Ataque em plena via pública terminou em tragédia
O incidente ocorreu enquanto o casal caminhava pela Campbell Parade, uma zona habitualmente movimentada junto à praia. Segundo informações divulgadas, um dos suspeitos saiu de um veículo que tinha uma bandeira do Estado Islâmico colocada no para-brisas, empunhando uma arma de fogo.
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Imagens que circulam nas redes sociais mostram Boris Gurman a enfrentar o homem armado, envolvendo-se numa luta corpo a corpo e conseguindo retirar-lhe a espingarda. No vídeo, captado por uma câmara de bordo de um automóvel, vê-se Boris a levantar-se e a atingir o suspeito com a própria arma, numa tentativa clara de neutralizar a ameaça.
Contudo, o agressor terá retirado uma segunda arma, com a qual disparou contra o casal, causando a morte de Boris e Sofia no local. Registos posteriores, obtidos através de um drone, mostram ambos estendidos lado a lado na estrada, sem sinais de vida, uma imagem que causou forte impacto na opinião pública australiana.
O vídeo da metro foi partilhado online por um residente de Sydney, acompanhado de uma mensagem em mandarim onde expressa profunda comoção e tristeza perante a violência do ataque.
Família destaca coragem e altruísmo do casal
Numa declaração citada pela BBC, a família dos Gurman sublinhou o orgulho sentido pela atitude do casal, apesar da dor irreparável da perda. “Embora nada possa aliviar o sofrimento de perder Boris e Sofia, sentimos um profundo orgulho pela sua bravura e altruísmo. Este gesto reflecte quem eles eram: pessoas que, de forma instintiva e desinteressada, tentavam ajudar os outros”, refere o comunicado.
De acordo com a família, Boris e Sofia eram judeus russos oriundos da antiga União Soviética, vivendo na Austrália há várias décadas, onde construíram a sua vida pessoal e profissional. Eram conhecidos na comunidade de Bondi como pessoas reservadas, trabalhadoras e sempre disponíveis para apoiar quem precisasse.
Vidas dedicadas à família e à comunidade local
Boris Gurman era mecânico reformado, descrito como um homem de grande generosidade, força tranquila e espírito solidário. Sofia trabalhava na Australia Post, sendo profundamente estimada pelos colegas e pela comunidade onde se inseria.

O ataque ocorreu poucos dias antes de Sofia celebrar o seu 62.º aniversário, aumentando ainda mais o impacto emocional da tragédia para familiares e amigos. Segundo o Sydney Morning Herald, Boris e Sofia foram as primeiras duas vítimas mortais do ataque de domingo, que ocorreu durante um evento de Hanukkah, aumentando a preocupação das autoridades quanto à motivação extremista do crime.
A família descreve o casal como o “coração” do núcleo familiar, sublinhando que a sua ausência deixou um vazio imensurável.
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A morte de Boris e Sofia gerou uma onda de homenagens na comunidade local, onde muitos destacam o exemplo de coragem, humanidade e solidariedade demonstrado nos seus últimos momentos.

