Vários profissionais de saúde no Reino Unido estão a alertar para a possibilidade de um aumento das infeções sexualmente transmissíveis (IST), como a clamídia e a gonorreia, na sequência de uma possível redução no uso de preservativos.

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Atualmente, o preservativo continua a ser o método mais eficaz para prevenir IST, mas o seu uso tem vindo a diminuir. Dados citados por marcas do setor indicam que apenas cerca de 15% dos britânicos compraram preservativos em 2023, enquanto aproximadamente 41% afirmam não utilizar qualquer forma de contraceção. No total, estima-se que cerca de 10,5 milhões de pessoas no Reino Unido dependem deste método para proteção sexual.
A médica Nikki Ramskill, fundadora de uma clínica de saúde feminina e consultora em saúde, alerta que o aumento do preço dos preservativos pode ter “consequências reais para a saúde pública”. Segundo a especialista, mesmo pequenas subidas de custo podem tornar-se uma barreira, especialmente para jovens e pessoas com rendimentos mais baixos, levando a uma utilização menos consistente, sobretudo em relações ocasionais ou não planeadas.
Crise de abastecimento e aumento de preços pressionam mercado dos preservativos
O setor enfrenta uma subida significativa de custos associada a perturbações nas cadeias de abastecimento globais. A empresa Karex, que produz milhares de milhões de preservativos por ano e fornece marcas como Durex e Trojan, anunciou um aumento de preços na ordem dos 30%, atribuído à pressão sobre matérias-primas como borracha sintética e nitrilo, bem como a custos de embalagem e logística.
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De acordo com outras empresas do setor, os materiais não-latex chegaram a registar aumentos de até 100%, enquanto o latex subiu cerca de 30% e os custos logísticos e de embalagem aumentaram aproximadamente 20%. Estas alterações podem fazer com que uma embalagem de 10 libras passe a custar cerca de 13 libras até ao final de 2026.
As dificuldades na cadeia de fornecimento estão associadas a tensões geopolíticas no Médio Oriente, que têm afetado o acesso a derivados petroquímicos essenciais para a produção destes produtos.
Acesso gratuito existe, mas nem sempre é suficiente
Apesar do aumento de preços no retalho, os preservativos continuam disponíveis gratuitamente em clínicas de saúde sexual e serviços de medicina geral no Reino Unido. No entanto, estes serviços têm horários limitados e nem sempre estão tão acessíveis como as farmácias e supermercados.
Algumas empresas do setor, como a Condoms UK, anunciaram medidas temporárias para travar aumentos imediatos em determinadas gamas de produtos, mas admitem que a pressão sobre os preços já está instalada e deverá refletir-se no mercado nos próximos meses.
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Especialistas recomendam estratégias para reduzir custos, como a compra de embalagens maiores, que oferecem um preço unitário mais baixo, e alertam contra a compra por impulso, lembrando que os preservativos têm um prazo de validade longo e não exigem armazenamento excessivo.
A combinação entre aumento de preços e menor acessibilidade poderá, segundo especialistas, contribuir para uma redução do uso de preservativos e, consequentemente, para um potencial aumento das infeções sexualmente transmissíveis no Reino Unido.

