Portugal fecha embaixada no Irão

Portugal decidiu encerrar temporariamente a sua embaixada em Teerão, na sequência da escalada de instabilidade política e social no Irão, marcada por manifestações em larga escala contra o regime. A decisão foi tomada na terça-feira, 14 de janeiro, conforme anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) numa nota oficial divulgada esta quinta-feira.

Portugal decidiu encerrar temporariamente a sua embaixada em Teerão
Portugal fecha embaixada no Irão © Justin Tallis / AFP

Segundo o comunicado, todos os cidadãos portugueses identificados no Irão foram contactados pelas autoridades diplomáticas. Até ao momento, oito portugueses já conseguiram abandonar o território iraniano em segurança. O MNE adiantou ainda que existem outros cidadãos nacionais em processo de saída, embora não tenham sido divulgados mais pormenores por razões de segurança e proteção consular.

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De acordo com a mesma nota, dez cidadãos portugueses optaram por permanecer no país, sendo que sete possuem dupla nacionalidade portuguesa e iraniana, o que lhes confere um estatuto jurídico específico no contexto das autoridades locais.

Nova vaga de protestos agrava crise económica e social

O Irão atravessa uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro de 2025, iniciada na capital, Teerão, por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda nacional, e por uma inflação considerada historicamente elevada. As manifestações rapidamente se alastraram a mais de uma centena de cidades em todo o país, refletindo um descontentamento generalizado com a situação económica e política.

As autoridades iranianas têm respondido com uma repressão severa. A organização não-governamental Iran Human Rights (IHRNGO) estima que pelo menos 3.428 pessoas tenham morrido desde o início dos protestos. A ONG sublinha, no entanto, que este número se baseia apenas em casos verificados, alertando que o total real de vítimas poderá ser significativamente superior.

Além das mortes, há relatos de detenções em massa, restrições ao acesso à internet e ao funcionamento dos meios de comunicação social, numa tentativa de conter a mobilização popular e limitar a divulgação de informação.

Escalada de tensão internacional e reunião de emergência da ONU

A deterioração da situação interna no Irão tem sido acompanhada por um agravamento das tensões internacionais. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma possível intervenção militar e apelado publicamente aos manifestantes para prosseguirem os protestos.

Em resposta, o regime iraniano acusou Israel e os Estados Unidos de estarem por detrás da instabilidade no país, alegações feitas sem apresentação de provas, e ameaçou lançar um ataque preventivo caso considere a sua segurança nacional em risco.

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Perante este cenário, o Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se de emergência esta quinta-feira, a pedido dos Estados Unidos, para uma sessão informativa dedicada à situação no Irão. A reunião dos 15 países membros está agendada para as 15h00 locais (22h00 em Portugal continental), segundo informou o porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Governo português acompanha situação e mantém alerta consular

O Ministério dos Negócios Estrangeiros garante que continua a acompanhar de perto a evolução da situação no Irão e mantém contacto permanente com os cidadãos portugueses no país. As autoridades portuguesas reiteram a recomendação para que sejam evitadas viagens para o Irão enquanto persistirem as atuais condições de instabilidade e insegurança.

O encerramento temporário da embaixada em Teerão insere-se numa estratégia de proteção dos cidadãos nacionais e do pessoal diplomático, não estando ainda definida uma data para a retoma plena da atividade consular no país.

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