O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, anunciou a intenção de limitar o trânsito automóvel no centro da cidade de forma “ordeira e gradual”, começando pela Praça da Batalha. A medida integra uma estratégia mais ampla de reorganização da mobilidade urbana, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e reduzir a pressão rodoviária na baixa portuense.

Em entrevista à Lusa, a propósito dos primeiros 100 dias de mandato, o autarca explicou que as restrições terão início a curto prazo, inicialmente aos fins de semana, permitindo testar o impacto da medida e promover uma adaptação progressiva por parte da população.
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Segundo Pedro Duarte, a mudança será faseada para que, “do ponto de vista cultural”, os cidadãos se habituem a uma nova forma de viver a cidade, depois de décadas marcadas pelo incentivo ao uso do automóvel individual.
Governo dá aval à retirada de pesados da VCI
No plano metropolitano, o autarca revelou que o Governo deu uma resposta favorável à proposta da Área Metropolitana do Porto (AMP) para proibir a circulação de pesados de mercadorias na Via de Cintura Interna (VCI), em simultâneo com a isenção de portagens na Circular Regional Exterior do Porto (CREP/A41) durante as horas de ponta.
A medida deverá avançar em março, mês em que está prevista a entrada em vigor da isenção para veículos pesados na CREP. No entanto, Pedro Duarte sublinhou que ainda decorrem avaliações técnicas para definir os moldes da sua aplicação.
O objetivo é aliviar o tráfego na VCI, uma das principais vias da cidade, desviando o trânsito pesado para a via alternativa quando esta deixar de ser portajada nos períodos de maior intensidade.
Transportes públicos gratuitos e reforço dos corredores BUS
Entre as principais bandeiras do executivo está a implementação de transportes públicos gratuitos, uma medida que pretende incentivar a mudança de hábitos de mobilidade. Pedro Duarte reconhece que o problema do trânsito não será resolvido de imediato, mas defende que é necessário avançar com medidas estruturais no curto prazo.
Para evitar que os autocarros fiquem retidos no congestionamento, o município pretende aumentar de forma significativa os corredores BUS. Está em curso um mapeamento da cidade para identificar os locais onde estas faixas exclusivas podem ser implementadas.
O autarca lembrou ainda que muitos dos veículos que circulam no Porto pertencem a cidadãos que residem fora do concelho e que não beneficiarão diretamente da gratuitidade dos transportes. Nesse sentido, poderão ser estudadas soluções conjuntas com municípios vizinhos.
Parques de estacionamento e reorganização do espaço público
Questionado sobre a eventual contradição entre a redução do número de automóveis no centro e a existência de vários parques de estacionamento, Pedro Duarte reconheceu que existe tensão entre os dois objetivos. Ainda assim, defende a necessidade de garantir estacionamento para moradores, designadamente através de parques subterrâneos.
A estratégia municipal passa também pela criação de parques na periferia do centro, permitindo que quem necessite de utilizar viatura própria possa estacionar e prosseguir a deslocação a pé, de bicicleta ou em transportes públicos.
A autarquia pretende limitar o estacionamento em superfície sempre que possível, por considerar que este ocupa espaço público que poderia ser devolvido às pessoas. Contudo, a aplicação prática da medida dependerá de avaliações técnicas caso a caso.
Relativamente à gestão dos parques atualmente sob responsabilidade da STCP Serviços, Pedro Duarte afirmou que serão feitas análises de eficiência para determinar a melhor solução do ponto de vista da gestão de recursos públicos, admitindo a possibilidade de maior internalização da gestão por parte da Câmara.
Investimentos no Metro do Porto mantêm prioridades definidas
No que respeita à expansão do Metro do Porto, o presidente da Câmara descartou que as linhas do Campo Alegre e Circular avancem antes de projetos já previstos, como as linhas de São Mamede, Maia II ou Gondomar.
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Segundo o autarca, estas ligações também beneficiarão significativamente o Porto, contribuindo para o objetivo estratégico de reduzir o número de carros a entrar na cidade.
Com um plano assente em restrições graduais ao trânsito, reforço do transporte público e reorganização do estacionamento, o executivo municipal pretende promover uma transformação progressiva da mobilidade urbana no Porto.

