Cinco agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), incluindo três elementos da Esquadra de Investigação Criminal da Divisão Policial de Loures, foram acusados pelo Ministério Público (MP) de diversos crimes relacionados com a abordagem de dois cidadãos, ocorrida na madrugada de 18 de janeiro de 2023, em Vale de Fornos, Odivelas.

Segundo o MP, os agentes não se identificaram como polícias, iniciaram uma perseguição automóvel com disparos, recorreram ao uso da força, proferiram insultos e ameaças, causaram danos materiais e elaboraram um auto de notícia com factos que, alegadamente, não correspondiam à realidade. A acusação aponta para excessos de autoridade e atuação fora dos procedimentos legais previstos para intervenções policiais.
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Incidente na Rua da Escola envolve viatura não identificada
O episódio ocorreu pelas 0h10, quando dois homens estacionaram um Renault Clio na Rua da Escola para se encontrarem com uma amiga. Enquanto permaneciam no interior do veículo, foram abordados por três agentes da PSP — identificados como João L., Pedro P. e Daniel P. — que circulavam numa viatura descaracterizada, sem estarem fardados ou se identificarem oficialmente como polícias.
A abordagem inesperada gerou confusão e receio nos ocupantes do carro. Segundo a acusação, a situação escalou rapidamente, resultando numa perseguição com disparos e no uso desproporcionado da força por parte dos agentes. Além disso, os danos provocados ao veículo e os relatos de ameaças verbais reforçam a gravidade do incidente, que agora é alvo de processo judicial.
Consequências legais e polémica pública
A denúncia apresentada pelo MP levanta questões sobre responsabilidade policial, formação e supervisão de agentes em operações de investigação criminal. Especialistas em direito consideram que a conduta dos agentes, se provada, configura crimes de abuso de autoridade, perigo para terceiros e falsificação de registos oficiais.
O caso suscitou também preocupação pública, dada a natureza do incidente: cidadãos inocentes confundidos com suspeitos, perseguição com disparos e elaboração de relatórios supostamente falsos. Para além das consequências criminais para os agentes, o episódio coloca em causa a confiança da população na polícia e destaca a necessidade de reforço de protocolos de segurança e de identificação clara durante abordagens policiais.
Contexto e antecedentes
Casos de excessos por parte de polícias em operações de investigação não são inéditos em Portugal, mas cada incidente que envolve o uso de armas de fogo em perseguições suscita atenção mediática e debates sobre limites legais da atuação policial. O processo judicial aberto permitirá apurar responsabilidades, avaliar se os procedimentos legais foram cumpridos e definir eventuais sanções para os agentes envolvidos.
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O MP mantém a investigação e sublinha que todos os factos relatados no auto de notícia serão analisados em detalhe, incluindo a veracidade das alegações de ameaças e insultos, bem como a proporcionalidade da utilização da força durante a perseguição.

