Lourenço quer mais voz de mulheres e jovens na paz

O Presidente angolano João Lourenço, atualmente em exercício da União Africana (UA), reforçou a necessidade de criar mais espaço para a participação de mulheres e jovens nos processos de resolução de conflitos em África, salientando a sensibilidade e a experiência destes grupos face às consequências dos conflitos.

 João Lourenço
Lourenço quer mais voz de mulheres e jovens na paz © Raimundo Mbiya | Edições Novembro

A intervenção ocorreu por ocasião do Dia da Paz e da Reconciliação em África, assinalado a 31 de Janeiro, durante a 1.329.ª reunião especial do Conselho de Paz e Segurança da UA, realizada em Adis Abeba, Etiópia. João Lourenço, que detém ainda o título de Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação, destacou que a voz das mulheres e dos jovens é essencial, uma vez que são frequentemente as principais vítimas de conflitos armados e tensões comunitárias, além de possuírem perspectivas únicas para a construção de soluções sustentáveis.

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“É fundamental escutar as vozes das mulheres e dos jovens, que têm muito a transmitir aos políticos, aos governantes e às sociedades africanas sobre os conflitos e o seu papel na procura de soluções. Para este efeito, o nosso continente dispõe do Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz e Não Violência em África, que serve como espaço de diálogo, reflexão e partilha de experiências”, sublinhou o estadista angolano.

Desafios persistentes e necessidade de unidade

João Lourenço realçou que a comemoração do Dia da Paz e da Reconciliação em África é mais do que uma celebração simbólica: trata-se de um convite à reflexão sobre os desafios de paz e segurança que ainda persistem no continente. Entre eles, o Presidente destacou os golpes de Estado, o terrorismo, o extremismo violento, os conflitos armados e as tensões comunitárias, fatores que comprometem o progresso económico, social e político de África.

O estadista frisou que, apesar destes obstáculos, é imprescindível manter o empenho na construção de uma África mais estável e pacífica, transformando vulnerabilidades em força, divisões em unidade e ameaças em oportunidades de desenvolvimento. “A União Africana dispõe de mecanismos robustos para responder a situações de crise, mas a sua eficácia depende da coesão, coordenação e empenho de todos os Estados membros”, afirmou.

João Lourenço recordou figuras históricas que moldaram a visão de paz e reconciliação em África, como Nelson Mandela, cuja tese sobre reconciliação não consistia em varrer a dor para debaixo do tapete, mas em reparar injustiças históricas de forma concreta, e Kwame Nkrumah, que defendeu a união do continente como elemento decisivo para transformar África numa força positiva no mundo. Para o Presidente, as lições destes líderes continuam a ser essenciais na formulação de políticas de paz e estabilidade.

Bienal de Luanda reforça participação ativa de mulheres e jovens

No âmbito da promoção da paz e da reconciliação, João Lourenço anunciou a realização da 4.ª edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz e Não Violência em África, também conhecida como Bienal de Luanda, prevista para Outubro deste ano. Organizada pelo Governo angolano, pela União Africana e pela UNESCO, a Bienal pretende ser um espaço de expressão para mulheres e jovens, permitindo-lhes partilhar experiências de mediação, reconstrução social e promoção da paz.

O Presidente destacou que a Bienal vai além de um evento cultural: “É um espaço onde os jovens podem expressar as suas aspirações, onde as mulheres podem partilhar experiências de mediação e reconstrução, e onde as nossas sociedades podem aprender a transformar as diferenças em mecanismos de entendimento, concórdia, democracia, paz e desenvolvimento sustentável”.

Durante a reunião de ontem, também foram partilhadas experiências de Angola, Serra Leoa e África do Sul sobre os processos de paz e reconciliação conduzidos nesses países, sublinhando a importância de aprendizagem conjunta e cooperação regional para enfrentar os desafios do continente.

Um continente unido em busca de paz e desenvolvimento

João Lourenço concluiu que a paz e a reconciliação em África só serão duradouras se houver uma consciência coletiva sobre a relevância do entendimento entre todos, reforçando que os esforços de todos os atores — governos, jovens, mulheres e sociedade civil — são essenciais para construir um continente mais seguro, estável e próspero.

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O Presidente reiterou que, embora existam desafios significativos, a coesão, a unidade e a mobilização contínua são determinantes para assegurar a operacionalidade dos mecanismos de paz da União Africana e impulsionar o desenvolvimento económico e social do continente.

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