A Polícia Federal desencadeou esta quarta-feira uma nova fase da Operação Compliance Zero, que resultou na detenção do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e de dois antigos altos responsáveis do Banco Central do Brasil.

Foram igualmente presos Paulo Sérgio de Souza Neves, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, e Belline Santana, antigo chefe do Departamento de Supervisão Bancária da mesma instituição. Ambos desempenharam funções de relevo na área de controlo e monitorização do sistema financeiro brasileiro.
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Os dois ex-dirigentes já tinham sido afastados dos cargos por decisão do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em cumprimento de uma determinação do ministro André Mendonça, atual relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação foi autorizada no âmbito de um inquérito que corre termos no Supremo, dado o envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro.
Supremo aponta indícios de atuação estruturada e divisão de tarefas
Na decisão que fundamenta as prisões, André Mendonça sustenta que os elementos recolhidos até ao momento — incluindo documentação, trocas de mensagens e análise de fluxos financeiros — apontam para uma atuação organizada entre os investigados.
Segundo o ministro, os indícios revelam uma estrutura com divisão de tarefas, característica típica de organizações criminosas. A decisão destaca que as provas analisadas pela autoridade policial sugerem coordenação e atuação concertada, o que justificou a aplicação de medidas cautelares mais gravosas.
A investigação procura apurar se houve favorecimento indevido, omissão deliberada de deveres de fiscalização ou outras práticas ilícitas no exercício de funções públicas ligadas à supervisão bancária.
Operação Compliance Zero aprofunda escrutínio sobre supervisão bancária
A Operação Compliance Zero tem como foco alegadas irregularidades no âmbito da fiscalização do sistema financeiro, incidindo sobre decisões administrativas, eventuais benefícios concedidos e possíveis conflitos de interesse.
Com esta nova fase, a Polícia Federal pretende consolidar a prova já reunida, aprofundar a análise de comunicações e transações financeiras e esclarecer o papel individual de cada suspeito. As diligências incluem buscas, recolha de documentos e exames periciais.
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O caso assume particular relevância institucional, por envolver antigos responsáveis máximos da área de supervisão do Banco Central, entidade encarregada de garantir a estabilidade e integridade do sistema financeiro brasileiro.
Até ao momento, não foram divulgados detalhes adicionais sobre os crimes concretamente imputados, mas as autoridades indicam que a investigação continua em curso sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.
A evolução do processo poderá ter impacto significativo na credibilidade dos mecanismos de controlo do setor bancário e na perceção pública sobre a atuação das entidades reguladoras.

