Naufrágio no Índico deixa 250 migrantes desaparecidos

Cerca de 250 migrantes rohingya e bangladeshianos, incluindo crianças, encontram-se desaparecidos após o naufrágio de uma embarcação no Mar de Andamão, no Oceano Índico, segundo informações divulgadas por agências das Nações Unidas para refugiados e migração.

Barco ilustrativo
Naufrágio no Índico deixa 250 migrantes desaparecidos © Katherine McCormack na Unsplash

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O barco, que partira do Bangladesh com destino à Malásia, terá afundado devido a ventos fortes, mar agitado e excesso de passageiros a bordo. As circunstâncias exactas do acidente permanecem por esclarecer, mas o incidente terá ocorrido na semana passada.

A 9 de Abril, uma embarcação com bandeira do Bangladesh resgatou nove sobreviventes que se mantinham à tona agarrados a tambores e destroços de madeira. De acordo com a guarda costeira, os sobreviventes tinham permanecido no mar durante quase dois dias após o naufrágio.

Sobreviventes relatam horas de desespero no mar

Os migrantes resgatados relataram que tinham partido a 4 de Abril em busca de melhores condições de vida na Malásia. Entre os dias 7 e 8, a embarcação foi apanhada por uma tempestade, acabando por naufragar pouco depois.

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Um dos sobreviventes, identificado como Rafiqul Islam, afirmou ter permanecido cerca de 36 horas no mar antes de ser salvo. O homem sofreu queimaduras provocadas por óleo derramado durante o acidente e explicou que a promessa de emprego na Malásia motivou a viagem.

Os sobreviventes indicaram ter visto cerca de 100 pessoas a bordo, embora o número total de passageiros permaneça desconhecido. Até ao momento, não há qualquer rasto da embarcação nem dos restantes ocupantes.

Crise dos rohingya impulsiona travessias perigosas

A comunidade rohingya, uma minoria étnica maioritariamente muçulmana de Myanmar, enfrenta perseguição e é privada de cidadania no seu país de origem. Desde 2017, centenas de milhares fugiram para o Bangladesh devido a uma violenta repressão.

No entanto, as difíceis condições de vida nos campos de refugiados em Cox’s Bazar têm levado muitos a arriscar viagens marítimas perigosas em embarcações precárias e sobrelotadas, frequentemente sem acesso a água potável ou saneamento.

Segundo as Nações Unidas, a persistência da violência no estado de Rakhine, em Myanmar, tem reduzido as perspectivas de regresso seguro, enquanto a diminuição da ajuda humanitária agrava a situação nos campos.

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As autoridades alertam que muitas destas viagens terminam em tragédia: alguns migrantes morrem no mar, enquanto outros são detidos, deportados ou impedidos de desembarcar em países como a Malásia e a Indonésia.

Perante este cenário, as agências internacionais apelam ao reforço do apoio financeiro às populações deslocadas e sublinham a urgência de soluções duradouras que permitam o regresso seguro, voluntário e digno dos refugiados rohingya ao seu país de origem.

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